sábado, setembro 30, 2006



Esta é a noite das cascatas consentidas... a noite em que cerro as pálpebras e te consumo o sorriso, guardado simplesmente nas memórias q não deixo que o tempo apague de mim!

Esta é a hora em que me aconchego no que de ti deixaste na minha alma, e me deixo adormecer no relembrar dos tempos em q a tua voz ainda soava nos sussurros brandos da vida e os teus braços ainda eram matéria e sentidos...

Não te pergunto a razão da partida, nem te censuro a desistência de ser... apenas me consome a angústia de não teres esperado que te desse um último beijo, ou te pegasse na mão nesse momento...

Dói-me a tua ausência... e não sei deixar-te partir de mim... Talvez por isso te deixe as minhas lágrimas nas pétalas das flores que te ofereço... São os únicos beijos que ainda te posso dar... os únicos que conseguem atravessar a terra que te serve de manto, e que chegam até ao que resta de ti!

Depois... olho-te naquele reflexo gelado do que eras e onde o teu sorriso permanece eternamente estático, olho o céu ... e sorrio-te! E sei que, onde quer q estejas, sentes o quanto eu sinto a tua falta!

Um beijo, pai!

Cris, in Conversas contigo... depois!

11 comentários:

Ant disse...

OLha sou o primeiro. Isto de deitar tarde tem destas coisas.
Obrigado por teres comentado.
Saudades são sempre um resto do bem e do bom. Fica a memória do melhor.
Muita ternura neste texto.

As imagens, como as palavras, passam a ser nossas também quando as usamos com sentido.
E à falta do autor fica a referência do descobridor.

Aparece sempre que queiras. A ideia é ter gente boa a conviver.

Um beijo

Diogo Ribeiro disse...

Vim agradecer a visita que fizeste ao meu espaço, e de resto dizer que gostei do que vi no teu blogue. Hei-de voltar.

Abraço, bom fim de semana.

Nilson Barcelli disse...

Cristina,
Fiquei comovido com o teu texto.
Pela maneira como o escreveste e porque tenho experiência nessa matéria...
Percebo-te, por isso.
Um beijo solidário.

ognid disse...

Não sabes como te compreendo. Um beijo Cris.

Cris disse...

O nosso eterno primeiro amor, está lindo o texto, confesso que não sou nada sem o meu pai e tenho pavor de pensar no dia em que ele terminar a sua viagem.

Bjkas
Cris

miguel brito disse...

são 3 da manhã e sono nem vê-lo... decici passar pelo teu blog... li o teu ultimo post...

...simplesmente para te deixar um grande beijo...

ferrus disse...

"... os únicos que conseguem atravessar a terra que te serve de manto, e que chegam até ao que resta de ti!..."

Há imagens lindas, mesmo no auge da dor!

Já senti e sinto essa dor...é eterna!

É eterna
É tanto...
da terra fez-se seu manto
e nele se verte um pranto:
o pranto...e tanto...
é um inverno permanente,
constante
uma muda de cor:
a da dor!
é saudade na saudade.
é a lembrança
é a quebra de um tratado de amor.
é a dor!
a que se alcança
num momento d infelicidade.
é a vontade
de recordar
como consolo.
o dolo da vida!


deixo-te um beijinho enorme

Belzebu disse...

Na forma terna e sentida como escreves nota-se que a saudade é algo que te doi! Contudo, as nossas memórias devem servir para atenuar esse sentimento. Recordar com carinho é uma forma de sublimação!


Saudações infernais!!

Femané disse...

este seu lindo texto fez-me, inevitavelmente, recordar o meu querido pai.

Agradeço-lho por isso.

Apenas, o cidadão disse...

texto bonito. doce sofrimento.

não deve ser fácil gerir a essa emoção para que sejamos livres. livres de nós mesmo. reinventar um forma de viver é a maneira de encarar o nosso caminho como apenas nosso. apesar de cruzarmos outros caminhamos sempre sozinhos, todos para a mesma casa.

ultrapassar a angustia é complicado. mas se enterdermos que não vivemos apenas aqui, que a realidade está oculta, e que as emoções são formas de energia eternas a angustia transforma-se numa revelação.

é o que eu entendo do que muitos sábios dizem. mas posso estar enganado, espero que não.

Cris disse...

Um beijo imenso a todos!