terça-feira, outubro 01, 2013

Um beijo, pai!



olho através desta saudade que me queima o peito
e não consigo encontrar o mais pequeno jeito
de não me lembrar de ti a toda a hora

dizem que é o tempo que leva a mágoa da alma de quem sofre
e a faz desaparecer como se a saudade fosse uma espécie de sede
e o passar dos dias a água que se lhe dá a beber

eu não quero que morra em mim
esta saudade de ti e de te lembrar
nem quero que me definhe na alma
esta forma de te sentir aqui

feito regaço
que me embala

é na calma desse abraço que em mim mora
que eu encontro sempre o teu sorriso 
esse olhar meigo que nunca de mim foi embora
e a ternura da tua voz de eterno menino
que me deixaste por herança e por destino
e que eu guardo num cantinho do meu peito
para te ter sempre comigo

Um beijo, pai!

Cris (Conversas contigo...depois!)


terça-feira, setembro 24, 2013

nascem papoilas no meu peito

                                                             Foto: Cristina Fidalgo

nascem papoilas no meu peito
sempre que deito a cabeça no teu colo
e em jeito de filha perdida na distância 
te digo das saudades que sinto do modo
como me abraçaste e te-me deste 
nesse teu amor tão puro e tão meigo

deste-te-me no falar das tuas gentes
no calor desse teu sorriso lento e quente
no vagar desse teu jeito de amar
tão verdadeiro e transparente
que me fez amar-te tão prontamente
como se de ti fosse nascida

deste-te-me no respirar fresco do teu pão
no aroma dos teus verdes dos montes amarelos
nos teus pores do sol com cheiro de café com leite 
e no macio do azeite feito templo do coração

deste-te-me nos amigos que me ofereceste
e nos sorrisos deles que plantaste nos sorrisos que são meus
nos gestos que deles me gravaste na alma
e na calma que me ensinaste a deixar germinar 
no que de mim não se acalma de saudade

desse meu Alentejo das papoilas
que nascem e esvoaçam no meu peito

Cristina Fidalgo (Do jardim da minha alma)




terça-feira, agosto 06, 2013

Fala-me de tempo...

                                            Foto: Cristina Fidalgo


Fala-me do tempo, meu amor
Em que moras e eu existo
Do tempo em que a noite chega despida
De vendas, espaços ou carrascos
E de onde como se fora o alto de um penhasco
Nos atiramos de mãos dadas
Para o regaço da vida

Fala-me do tempo, meu amor
Em que mesmo sem tempo
Me sabes de cor e atravessas
Em passos de mágica as linhas
Do que sou e só tu conheces
Do tempo em que sem pressas
Me vestes de gestos teus
E me afagas em hálitos húmidos
de branda maresia

Fala-me do tempo, meu amor
Em que nos esperamos
No fim dos dias já passados
E cansados conseguimos lembrar
Os sorrisos adiados de nós
Por falta de tempo
E arrancamos do fundo do peito
O lugar onde guardamos os sussurros
Já bolorentos da nossa voz
E os deixamos renascer do esquecimento

Fala-me de tempo, meu amor
Porque ainda é tempo
De esquecer que o tempo existe
E inventar um lugar dentro do beijo
Que nunca deixámos de nos dar
Onde o tempo só tenha espaço
E só tenha tempo para nos sabermos sonhar

Falo-te de tempo, meu amor
Do único tempo de que sei falar…

Cris (Ecos)

domingo, agosto 04, 2013

esta noite...


                                                               Foto: Cristina Fidalgo

dormes...
e eu velo esse teu dormir
com a intensidade de quem sente as ondas do mar
no respirar dos teus sonhos

e por sobre os teus lábios nasço em rio
e em vagas de beijos crio marés de ternuras

e enlaço-te-me no restolho dos desejos
que me viajam nas veias
e norteiam as pontas dos meus dedos
agora tímidos e mansos e cansados...

...porque adormecidos nesses teus sonhos.

dormes...
mutilas assim em mim a ânsia
de ser o luar dessa tua noite mágica
em que me deito e descanso...

pudesse esta noite ser eterna
e nela depositar a fugacidade de um beijo
que te dou a cada pedaço de olhar
que os meus olhos te resgatam

pudesse esta noite ser o perpetuar
dos sorrisos que adivinho na leveza dos gestos
com que embalas este meu velar
dos teus sonhos vadios

fosse esta noite a última noite das noites
e eu nem o mais pequeno gesto faria
que agitasse esse teu sorriso ameno
que pressinto no teu rosto...

enquanto dormes...


Cris reflexos de nós

terça-feira, março 20, 2012

saudades...

gostava de te ter deixado hoje um beijo
no perfume doce das pétalas de uma flor

de ter podido conversar contigo
e dizer-te das saudades que sinto
da tua voz, do teu sorriso e desse amor

beijo, pai!

quinta-feira, dezembro 01, 2011

nos intervalos do tempo...

foto: Cristina Fidalgo

às vezes penso que existo nos intervalos do tempo
lá no lugar em que o lamento persiste

sou talvez já só o grito que sufoco
no pouco de mim que por vezes encontro

ou até o fio de vento
que me gela o peito
quando quero tanto fugir daqui

é então que olho para estas mãos
tão cheias do longe e da distância
e sinto as tuas ainda nelas
e o teu sabor a permanência

é assim que sei lembrar o caminhar dos teus lábios
no que de mim se transforma em lava
vermelho intenso dos meus sonhos e do meu ser

e é assim que eu sei, meu amor
encontrar o teu sorrir
no mais pequeno dos entardeceres...


Cris ( Dos meus lábios nasce a noite)

terça-feira, outubro 11, 2011

Quando os silêncios me beijam









sei a cor do silêncio das palavras quando bailam no pêndulo dos dias
sei o segredo do navegar dos medos nos trilhos das ausências
sei o sabor dos braços esquecidos no abraçar dos tormentos
e a voz do vento quando traz novos silêncios... velhos amigos

e por isso abandono nas minhas mãos as palavras
rasgo-as em pedaços e chamo-lhes estranhas
ateio-as... desejo-as chamas
e arremeço-as para o longe onde mora o esquecimento

de nada vale... ou se calhar sou eu q n quero

germinam a cada passo... nascem de mim... crescem cá dentro
e mansamente deitam-se no meu peito em jeito de pétalas brancas
ou talvez somente lágrimas soltas ao vento
mas cheias de vontade de quebrar os silêncios

encolho os ombros... rejeito-as...

mas não resisto...

e rasgo da noite o espaço da penumbra que me agarra
dispo todas as sombras que me afagam
desgarro dos lábios os amargos e os temores
e desarmo-me dos vazios q me abraçam

e elas crescem então soltas.. livres
ganham vida... dão flores...

desamarram-me os silêncios que eu vestira de noite
e falam-me de ti... e contam-me do teu amor

são palavras apenas! mas são minhas...


Cris ( Dos meus lábios nasce a noite)

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Renego-te anjo negro...





Gostava de te dar o braço e conversar contigo baixinho
dizer-te o que penso das tuas frias e vis cruzadas
da forma como te atravessas constantemente no caminho
daqueles que serenamente te evitam as pegadas...

Irrita-te que te olhem de soslaio e te chamem de erva daninha
que te ocultem o nome e te evitem a sombra
que te dediquem sarcasmos e gritem qd te avizinhas
que te votem ao abandono e te larguem na penumbra...

E talvez por isso te arrogues a acreditar que alguns te amam
e procuram os teus braços à laia de descanso
mas não te iludas com sorrisos de esperança dos que não sonham
porque não passas de sombra negra, muito embora te chamem anjo...

Um por um me levas quem eu amo
um por um me deixas na saudade
mas nem por um segundo penses q algum dia te chamo
ou perco desta vida a minha vontade!

As lágrimas que me ofereces quando vens
uso-as para delas extrair flores de pétalas amarelas
e se pudesses olhar o mar com a ternura q n tens
verias nos meus olhos quando passas

um mar pleno de azul e caravelas...


Ao meu tio...


Cris

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Pergunta-me...

foto: Cristina Fidalgo







Pergunta-me das vozes dos sonhos loucos
Das pétalas de gemidos roucos soltos no vento
E da tua pele orvalhada pelo amanhecer da ternura

Pergunta-me do sal da areia da praia
Da espuma branca das ondas do mar
E dos restos de luar nas pontas dos meus dedos

Pergunta-me do aroma do café nos pedaços das gargalhadas
Das aventuras das mãos geladas nos trilhos da vontade
E da serenidade das costas suadas em sinal de fim

Pergunta-me do sabor da canela no segredo dos beijos
Dos desejos escondidos nas frestas da pele
E do mel dos silêncios guardados no cansaço dos olhos

Pergunta-me, meu amor, se achas preciso
Que eu lembro ainda o local que soubeste perfeito
Para guardar estes momentos chamados tesouros:

Estão todos no canto dos meus lábios
Lá onde mora o meu sorriso…


Cris, Do Silêncio e da Pele

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Permanência...

Foto: Cristina Fidalgo


Permanência...
O gosto a sal que ficou de tua pele
No céu da minha boca...

Gosto de estradas sem fim,
Mares sem algas
E meu corpo fora de mim...

No teu...

Num fim de tarde pleno de doces fragrâncias...


Cris (Sonhos em Tempos de Lua)

sábado, junho 19, 2010

Quando as palavras brotam do nada e dizem tanto...




Por vezes parecia arrogante mas tantas outras fazia com que as suas palavras brotassem do nada e dissessem coisas simples assim:


"Um escritor é um homem como os outros:


Sonha!"


Parece-me, pois, que a melhor homenagem que se pode fazer a José Saramago será nunca desaprendermos de sonhar...



Cris...

sexta-feira, abril 16, 2010

Sou hoje um beijo teu

Foto: Cristina Fidalgo


apetece-me desenhar o teu rosto
nos veios leves do tempo
.
sorris...
.
desamarro-te o sorriso
nos movimentos soltos do vento
.
suspiras...
.
e das minhas aguarelas
esvai-se esse suspiro num lamento
.
sonhas...
.
pinto as asas do teu sonho
em tons de transparente e branco
.
diluo-me...
.
em cores de fogo e de desejo
e colo-me aos teus lábios que desenho
.
e
assim
viverei eternamente num beijo teu

Cris (Do Silêncio e da Pele)

quinta-feira, agosto 06, 2009

guardo em mim as tuas mãos

Imagem de Rafael Coutinho


esqueceste as tuas mãos no meu corpo
quando julgaste ter ido embora de mim…

e eu inventei nelas um sussurro
que vesti de mel e seda
para cobrir a minha mágoa

depois…

reinventei-me líquida
e suada deitei-me no desenho dos teus lábios

bebeste-me beijo
e no teu desejo me soubeste em ti

afastei-te-me então de nós
e voz permaneci na sombra do avesso do tempo
sem que me soubesses os contornos

e...

quiseste-me então retorno
no abrigo do teu corpo

voltaste quando me pediste
que me despisse do que fugi

E nunca mais levaste de volta as tuas mãos…


Cris (Do silêncio e da pele...)

sexta-feira, março 20, 2009

Conversando contigo...depois!






Amanhã vou visitar-te...

Vou levar comigo os únicos beijos q ainda te posso dar. Agora escolho-os apenas pela cor - sempre brancos - e pelo aroma...

Quando chego e olho o teu rosto, naquele sorriso preso numa pedra fria, já um pouco gasto pelos raios de um sol que continua a nascer todos os dias, servindo-te de manto, tento sorrir-te também para que saibas que cheguei e que ainda sei sorrir...

Coloco os meus beijos ao lado do teu rosto como se eu própria me aconchegasse no teu colo e sento-me sempre um pouco para conversar contigo.

Deveria talvez rezar quando te vou visitar. Foi assim q me ensinaram a fazer, quando era mais pequena... mas n sou capaz. Preciso de sentir q ainda me ouves. Preciso de conversar contigo!

É por isso que quando me sento e te olho a sorrir, mesmo que pelo meu rosto desçam algumas lágrimas q n consigo evitar, eu sei q me escutas e que sentes o aroma a saudade nos beijos q te dou.

Nessas alturas nem preciso cerrar as pálpebras para voltar aos momentos em que ainda tinhas aquele colo sem igual e me ensinavas a crescer e a conhecer o amor e a ternura.



Um dia disseste-me que quando gostamos muito de alguém nunca o perderemos. Acreditei em ti! Tu dizias-me sempre as verdades, porque me haverias de mentir nesse momento?... Mas quando partiste eu pensei que afinal não era sempre tão verdade o q me dizias. Eu gostava tanto de ti, pai... e tu partias assim! Sem sequer me dares tempo de te dizer adeus...



Hoje quando vou visitar-te sei sempre q afinal era mais uma das tuas verdades!... Sei agora q foi mais uma das formas q encontraste para me ensinar que a vida também doi... mas quando amamos muito alguém nunca deixamos de sentir esse amor. Foi assim q me ensinaste q o amor vale a pena e que a nossa capacidade de amar é maior do q alguma vez imaginámos...

E é por isso que quando te vou visitar ainda converso contigo como se ainda estivesse no teu colo.

E é por isso q quando te vou visitar te levo flores brancas, com o aroma mais doce q encontro... Porque era assim q sentia os beijos q me davas... e são ainda assim os beijos q te deixo, naquela jarra, ao lado do teu rosto...



As saudades... sinto-as cada vez mais intensamente, mas essa é a certeza q tenho q nunca me mentiste... que nunca te perderei... e que, onde quer q estejas, estás sempre comigo, aninhada no teu colo, imenso, bordado de ternura e afagos... e agora com a mãe tb ao pé de ti!



Sabes, poderia passar aqui a noite a agradecer-te todas as coisas que me deste e me ensinaste e acredita q a noite n seria suficiente... mas digo-te apenas um "obrigada": por me teres ensinado a viver sabendo o valor das palavras "verdade" e "amor". Deixaste-me assim a maior herança que uma filha pode herdar - A de te poder recordar-te sempre como um Pai a valer!



Um beijo do tamanho do universo!



Cris ( Conversas contigo... depois!)




terça-feira, março 17, 2009

Um dia aprendi a ler...

Foto: Cristina Fidalgo



Como alguns de vocês sabem, sou professora de Português. Mas tb sabem que quando entro nesta seara, onde as sementes vão crescendo, nem me lembro que o sou. Entro aqui sem estatuto profissional, apenas como alguém para quem as palavras são tesouros! Se hoje me refiro a este pormenor é, apenas, porque gostava de partilhar convosco o que me levou a gostar tanto do que faço... Partilhar o que se gosta é um dos meus princípios de vida. Apenas por isso o faço e, se de entre vós, conseguir que apenas um/a fique a gostar um pouco mais de misturar estes pequenos símbolos, a q se convencionou chamar de letras por forma a criar pequenas e simples palavras, que às vezes dizem coisas tão importantes e tão grandes, então darei por bem empregue o pedacinho de vida que dediquei a este canto e a esta mensagem, em particular!...

Ao longo do meu percurso escolar fui sempre uma aluna muito pouco brilhante a Português. Lia as obras que me impunham apenas por obrigação e somente quando não conseguia encontrar os seus resumos, ou um colega que me desse apontamentos já redigidos. Tudo me parecia insípido e maçador: legados velhos, que outros tantos velhos tinham deixado como herança _ daquelas heranças que, depois de arrumado o sótão, apenas um décimo do seu espaço fica ocupado por algo que minimamente se aproveite.
Não sou, nem nunca fui, materialmente ambiciosa por isso também esta herança pouco me dizia.
A par de tudo isto, nunca um professor de Português me tinha falado da sua disciplina com um pequeno brilho que fosse, no olhar!

Um dia, porém, vi-me na eminência de perder um ano da minha vida, apenas pq não conseguia entrar para o 12º ano se n completasse o 11º... e faltava-me apenas passar a Português!!!!
Contrariada, aceitei a única solução apresentada pelo meu pai e à qual n tinha meios de fugir: Explicações durante o Verão!
Claro que me senti a mais infeliz das criaturas quando imaginei a troca da praia pela casa do explicador, a toalha pelos livros e o mar por um quadro negro. Além de q tudo isto significava um enorme deficit nas minhas horinhas de namoro apaixonado... Mas, como contra factos não adianta argumentar e o meu pai era um doce, mas não admitia "mas", lá fui eu, mais triste que os tristes, num dia lindo de sol e de calor em q até os pobres passarinhos pareciam gozar com a minha cara.
O explicador era um Sr. já idoso, com uma linguagem erudita e tão feio q metia dó!... Mas tão lindo por dentro q dava gosto ouvi-lo!...
Não foi preciso mais do q uma explicação para q a ideia de suplício se esfumasse e em seu lugar nascesse uma grande admiração pela palavra. Aquele homem vibrava quando falava de Almeida Garrett, Eça de Queirós, Aquilino ou Junqueiro e todos os tais velhinhos que afinal começavam a não me parecer tão “chatos” assim...
O professor Jaime Vilar, assim se chamava aquele "artista das palavras", sorria por cada um dos seus poros quando falava, falava como quem respira, e fazia-me sonhar! Em cada obra que me ensinava, embrenhava-me nela como se eu fosse uma das personagens. Eu pousava os meus olhos nas páginas dos livros e entrava nelas de corpo e alma, vivendo cada uma daquelas vidas como se fossem minhas.
Quando acabava a explicação, sentia até pena... consolava-me apenas o facto de ter à minha espera, do outro lado da ria, um outro olhar brilhante e, desta feita, que brilhava por mim...

Chegado o exame, provei àquele homem q tinha valido a pena ter-me ensinado a ler um texto nas linhas e nas entrelinhas e, sobretudo, o ter-me ensinado a ler o q nem nas entrelinhas está...

Quando lemos um pedaço de escrita, não nos basta ler as palavras. Para desfrutarmos verdadeiramente do q está escrito, basta-nos tão-somente tentar imaginar os olhos do seu escritor tentando assim ler-lhe a alma. Na alma, sim, nesse pedacinho de nós e dos outros, que nem sabemos bem onde se encontra, está o princípio, o meio e o fim de qualquer história que nos é narrada, apresente-se ela sob a forma que se apresentar. Se nos limitarmos a juntar as letras e a repetir interiormente as palavras que alguém escreve, perdemos a alma do que nos quis dizer ou até daquilo que nos quis esconder...
Compreendendo tudo isto, eu concluí que me basta um livro ou apenas um lápis e um pedaço de papel para nunca estar só!
Foi nesse momento q resolvi ser professora de Português. Não almejo perfeição... essa só a quero em pequenos momentos, mas ficarei feliz se um dia souber que um aluno meu se apaixonou pelas palavras, como eu me apaixonei... se de alguma forma eu tiver contribuído para que alguém tenha aprendido a não estar só. Alguém cujo olhar emane brilho ou derrame lágrimas ao ler ou escrever o q quer q seja!...

Um beijo aos dois homens q me ensinaram a ler: o meu pai e o prof Jaime Vilar (onde quer q estejam!)


Cris (Do Jardim da Minha Alma)

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Nesta manhã em que quero o Natal...





Acorda comigo nesta manhã em que quero o Natal
Ajuda-me a espreguiçar e a sentir os primeiros raios de sol
Sorri para mim no mesmo sorriso que te dou e que é igual
A todos os sorrisos que tomam o olhar por farol
E se misturam nas ternuras e carícias do amanhecer...


Vamos estender os nossos corpos para além da cama
Pisar o chão macio num contorno do que está para além de nós.
Podemos ser as luzes cintilantes da árvore, símbolo de quem ama
E darmo-nos os presentes divinos que ecoam para além da voz
E nos fazem, de vida e de amor, estremecer...


Abandona-te comigo num abraço para além do espaço e do tempo
Um abraço para esquecer murmúrios e lamentos
Daqueles em que os braços são só pele e mãos e desejo
E o coração num instante abarque o mundo
Para nos darmos de presente o presente mais profundo:
Um acordar pleno de nós... cobertos de beijos!

Cris (Tranparências)


terça-feira, novembro 18, 2008

Porquê?...

Fot: Cristina Fidalgo


Porque me encontra a noite tão perdida em mim
aninhada num canto do chão da minha alma
e da minha mão escondendo a palma
para me esquecer de recordar as linhas
escritas um dia com ramos de alecrim?

Porque resisto em escutar o amadurecimento das estrelas
quando sei que o seu brilho é guarida
e perdida a minha saudade precisa de se aconchegar nelas?

Porquê esta chama a gritar-me na pele
os ecos da tua voz e dos teus olhos
como se desgarrada da noite escura e inerte
a lua se deslaçasse em lágrimas e sonhos?

Porquê o sentir da loucura nas pontas dos meus dedos
e a agrura dum céu aberto e nu de azul
na orla de um pecado onde apenas o medo
me fez pensar q o cometi?

Porque... sonhando, olhei os restos do fim do dia
e perdi-me nos contornos das cores que escorriam de mim
aconcheguei-me nelas e sem querer
adormeci...




Ensina-me




Ensina-me
a permanecer no azul das águas
no sabor do sol
e no avesso das mágoas

eternamente...


Cris (Ecos)

quinta-feira, outubro 16, 2008

incógnita...




os dedos crispados na inquietude do tempo

espera que serpenteia no desespero da terra


veios desordenados de sopros e lamentos

pensamentos obtusos do inferno que os cerca


submersa a vontade fera

de quem espera

e tem por certeza

o incerto da verdade

e as paredes do pensamento


insonoro o pulsar mecânico do mundo

nas veias de um pensar que gera o pânico


inodoro o sentir do germinar do sonho

nas correntes do gargalhar profundo

de quem descobre o simples e velho dito

de que nada nesta vida é infinito


apenas um caminhar para parte incerta...


Cris (Ecos...)

segunda-feira, setembro 22, 2008

Beijos para ti!







Há beijos que são fios de prata


como estes que escorrem dos meus olhos


quando em momentos de saudade


olho as estrelas e lhes peço que sejam os meus lábios


e te beijem por mim




Lá do alto, onde moram


sorriem-me serenamente


e dizem-me que os beijos que os meus olhos choram


lhes chegam ao regaço e num repente


tos devolvem suavemente




assim...


como se entregues por mim




Há beijos que se vestem de flores


e servem de véu e manto


ao colo que me ensinou a ternura e o amor


e que agora me ensina a viver esta saudade


que não tem fim




São beijos perfumados de lágrimas e sorrisos


beijos que não têm lábios...




Mas são todos para ti!






Cris ( Conversas contigo... depois!)