terça-feira, novembro 23, 2010
sábado, junho 19, 2010
Quando as palavras brotam do nada e dizem tanto...
sexta-feira, abril 16, 2010
Sou hoje um beijo teu
apetece-me desenhar o teu rosto
Cris (Do Silêncio e da Pele)
quinta-feira, agosto 06, 2009
guardo em mim as tuas mãos
Imagem de Rafael Coutinhoesqueceste as tuas mãos no meu corpo
quando julgaste ter ido embora de mim…
e eu inventei nelas um sussurro
que vesti de mel e seda
para cobrir a minha mágoa
depois…
reinventei-me líquida
e suada deitei-me no desenho dos teus lábios
bebeste-me beijo
e no teu desejo me soubeste em ti
afastei-te-me então de nós
e voz permaneci na sombra do avesso do tempo
sem que me soubesses os contornos
e...
quiseste-me então retorno
no abrigo do teu corpo
voltaste quando me pediste
que me despisse do que fugi
E nunca mais levaste de volta as tuas mãos…
Cris (Do silêncio e da pele...)
sexta-feira, março 20, 2009
Conversando contigo...depois!

Vou levar comigo os únicos beijos q ainda te posso dar. Agora escolho-os apenas pela cor - sempre brancos - e pelo aroma...
Quando chego e olho o teu rosto, naquele sorriso preso numa pedra fria, já um pouco gasto pelos raios de um sol que continua a nascer todos os dias, servindo-te de manto, tento sorrir-te também para que saibas que cheguei e que ainda sei sorrir...
Coloco os meus beijos ao lado do teu rosto como se eu própria me aconchegasse no teu colo e sento-me sempre um pouco para conversar contigo.
Deveria talvez rezar quando te vou visitar. Foi assim q me ensinaram a fazer, quando era mais pequena... mas n sou capaz. Preciso de sentir q ainda me ouves. Preciso de conversar contigo!
É por isso que quando me sento e te olho a sorrir, mesmo que pelo meu rosto desçam algumas lágrimas q n consigo evitar, eu sei q me escutas e que sentes o aroma a saudade nos beijos q te dou.
Nessas alturas nem preciso cerrar as pálpebras para voltar aos momentos em que ainda tinhas aquele colo sem igual e me ensinavas a crescer e a conhecer o amor e a ternura.
Um dia disseste-me que quando gostamos muito de alguém nunca o perderemos. Acreditei em ti! Tu dizias-me sempre as verdades, porque me haverias de mentir nesse momento?... Mas quando partiste eu pensei que afinal não era sempre tão verdade o q me dizias. Eu gostava tanto de ti, pai... e tu partias assim! Sem sequer me dares tempo de te dizer adeus...
Hoje quando vou visitar-te sei sempre q afinal era mais uma das tuas verdades!... Sei agora q foi mais uma das formas q encontraste para me ensinar que a vida também doi... mas quando amamos muito alguém nunca deixamos de sentir esse amor. Foi assim q me ensinaste q o amor vale a pena e que a nossa capacidade de amar é maior do q alguma vez imaginámos...
E é por isso que quando te vou visitar ainda converso contigo como se ainda estivesse no teu colo.
E é por isso q quando te vou visitar te levo flores brancas, com o aroma mais doce q encontro... Porque era assim q sentia os beijos q me davas... e são ainda assim os beijos q te deixo, naquela jarra, ao lado do teu rosto...
As saudades... sinto-as cada vez mais intensamente, mas essa é a certeza q tenho q nunca me mentiste... que nunca te perderei... e que, onde quer q estejas, estás sempre comigo, aninhada no teu colo, imenso, bordado de ternura e afagos... e agora com a mãe tb ao pé de ti!
Sabes, poderia passar aqui a noite a agradecer-te todas as coisas que me deste e me ensinaste e acredita q a noite n seria suficiente... mas digo-te apenas um "obrigada": por me teres ensinado a viver sabendo o valor das palavras "verdade" e "amor". Deixaste-me assim a maior herança que uma filha pode herdar - A de te poder recordar-te sempre como um Pai a valer!
Um beijo do tamanho do universo!
Cris ( Conversas contigo... depois!)
terça-feira, março 17, 2009
Um dia aprendi a ler...
Foto: Cristina FidalgoComo alguns de vocês sabem, sou professora de Português. Mas tb sabem que quando entro nesta seara, onde as sementes vão crescendo, nem me lembro que o sou. Entro aqui sem estatuto profissional, apenas como alguém para quem as palavras são tesouros! Se hoje me refiro a este pormenor é, apenas, porque gostava de partilhar convosco o que me levou a gostar tanto do que faço... Partilhar o que se gosta é um dos meus princípios de vida. Apenas por isso o faço e, se de entre vós, conseguir que apenas um/a fique a gostar um pouco mais de misturar estes pequenos símbolos, a q se convencionou chamar de letras por forma a criar pequenas e simples palavras, que às vezes dizem coisas tão importantes e tão grandes, então darei por bem empregue o pedacinho de vida que dediquei a este canto e a esta mensagem, em particular!...
Ao longo do meu percurso escolar fui sempre uma aluna muito pouco brilhante a Português. Lia as obras que me impunham apenas por obrigação e somente quando não conseguia encontrar os seus resumos, ou um colega que me desse apontamentos já redigidos. Tudo me parecia insípido e maçador: legados velhos, que outros tantos velhos tinham deixado como herança _ daquelas heranças que, depois de arrumado o sótão, apenas um décimo do seu espaço fica ocupado por algo que minimamente se aproveite.
Não sou, nem nunca fui, materialmente ambiciosa por isso também esta herança pouco me dizia.
A par de tudo isto, nunca um professor de Português me tinha falado da sua disciplina com um pequeno brilho que fosse, no olhar!
Um dia, porém, vi-me na eminência de perder um ano da minha vida, apenas pq não conseguia entrar para o 12º ano se n completasse o 11º... e faltava-me apenas passar a Português!!!!
Contrariada, aceitei a única solução apresentada pelo meu pai e à qual n tinha meios de fugir: Explicações durante o Verão!
Claro que me senti a mais infeliz das criaturas quando imaginei a troca da praia pela casa do explicador, a toalha pelos livros e o mar por um quadro negro. Além de q tudo isto significava um enorme deficit nas minhas horinhas de namoro apaixonado... Mas, como contra factos não adianta argumentar e o meu pai era um doce, mas não admitia "mas", lá fui eu, mais triste que os tristes, num dia lindo de sol e de calor em q até os pobres passarinhos pareciam gozar com a minha cara.
O explicador era um Sr. já idoso, com uma linguagem erudita e tão feio q metia dó!... Mas tão lindo por dentro q dava gosto ouvi-lo!...
Não foi preciso mais do q uma explicação para q a ideia de suplício se esfumasse e em seu lugar nascesse uma grande admiração pela palavra. Aquele homem vibrava quando falava de Almeida Garrett, Eça de Queirós, Aquilino ou Junqueiro e todos os tais velhinhos que afinal começavam a não me parecer tão “chatos” assim...
O professor Jaime Vilar, assim se chamava aquele "artista das palavras", sorria por cada um dos seus poros quando falava, falava como quem respira, e fazia-me sonhar! Em cada obra que me ensinava, embrenhava-me nela como se eu fosse uma das personagens. Eu pousava os meus olhos nas páginas dos livros e entrava nelas de corpo e alma, vivendo cada uma daquelas vidas como se fossem minhas.
Quando acabava a explicação, sentia até pena... consolava-me apenas o facto de ter à minha espera, do outro lado da ria, um outro olhar brilhante e, desta feita, que brilhava por mim...
Chegado o exame, provei àquele homem q tinha valido a pena ter-me ensinado a ler um texto nas linhas e nas entrelinhas e, sobretudo, o ter-me ensinado a ler o q nem nas entrelinhas está...
Quando lemos um pedaço de escrita, não nos basta ler as palavras. Para desfrutarmos verdadeiramente do q está escrito, basta-nos tão-somente tentar imaginar os olhos do seu escritor tentando assim ler-lhe a alma. Na alma, sim, nesse pedacinho de nós e dos outros, que nem sabemos bem onde se encontra, está o princípio, o meio e o fim de qualquer história que nos é narrada, apresente-se ela sob a forma que se apresentar. Se nos limitarmos a juntar as letras e a repetir interiormente as palavras que alguém escreve, perdemos a alma do que nos quis dizer ou até daquilo que nos quis esconder...
Compreendendo tudo isto, eu concluí que me basta um livro ou apenas um lápis e um pedaço de papel para nunca estar só!
Foi nesse momento q resolvi ser professora de Português. Não almejo perfeição... essa só a quero em pequenos momentos, mas ficarei feliz se um dia souber que um aluno meu se apaixonou pelas palavras, como eu me apaixonei... se de alguma forma eu tiver contribuído para que alguém tenha aprendido a não estar só. Alguém cujo olhar emane brilho ou derrame lágrimas ao ler ou escrever o q quer q seja!...
Um beijo aos dois homens q me ensinaram a ler: o meu pai e o prof Jaime Vilar (onde quer q estejam!)
Cris (Do Jardim da Minha Alma)
quarta-feira, dezembro 24, 2008
Nesta manhã em que quero o Natal...

Acorda comigo nesta manhã em que quero o Natal
Ajuda-me a espreguiçar e a sentir os primeiros raios de sol
Sorri para mim no mesmo sorriso que te dou e que é igual
A todos os sorrisos que tomam o olhar por farol
E se misturam nas ternuras e carícias do amanhecer...
Vamos estender os nossos corpos para além da cama
Pisar o chão macio num contorno do que está para além de nós.
Podemos ser as luzes cintilantes da árvore, símbolo de quem ama
E darmo-nos os presentes divinos que ecoam para além da voz
E nos fazem, de vida e de amor, estremecer...
Abandona-te comigo num abraço para além do espaço e do tempo
Um abraço para esquecer murmúrios e lamentos
Daqueles em que os braços são só pele e mãos e desejo
E o coração num instante abarque o mundo
Para nos darmos de presente o presente mais profundo:
Um acordar pleno de nós... cobertos de beijos!
Cris (Tranparências)
terça-feira, novembro 18, 2008
Porquê?...
Fot: Cristina FidalgoPorque me encontra a noite tão perdida em mim
aninhada num canto do chão da minha alma
e da minha mão escondendo a palma
para me esquecer de recordar as linhas
escritas um dia com ramos de alecrim?
Porque resisto em escutar o amadurecimento das estrelas
quando sei que o seu brilho é guarida
e perdida a minha saudade precisa de se aconchegar nelas?
Porquê esta chama a gritar-me na pele
os ecos da tua voz e dos teus olhos
como se desgarrada da noite escura e inerte
a lua se deslaçasse em lágrimas e sonhos?
Porquê o sentir da loucura nas pontas dos meus dedos
e a agrura dum céu aberto e nu de azul
na orla de um pecado onde apenas o medo
me fez pensar q o cometi?
Porque... sonhando, olhei os restos do fim do dia
e perdi-me nos contornos das cores que escorriam de mim
aconcheguei-me nelas e sem querer
adormeci...
Ensina-me
Ensina-me
a permanecer no azul das águas
no sabor do sol
e no avesso das mágoas
eternamente...
Cris (Ecos)
quinta-feira, outubro 16, 2008
incógnita...

segunda-feira, setembro 22, 2008
Beijos para ti!


domingo, agosto 10, 2008
Prometi-te as minhas mãos nas tuas...
E prometo-te as minhas mãos nas tuas... e os meus beijos sem lágrimas enquanto o teu corpo for permanência... e a tua voz um leve respirar!...Prometi-te as minhas mãos nas tuas, mãe
e os meus beijos sem lágrimas
enquanto o teu corpo fosse permanência
e a tua voz um leve respirar
E tu soubeste dizer-me adeus tão de mansinho
e adormecer de uma forma tão serena
como um sol que ao fim do dia se deita aos poucos... muito devagarinho
acabando por esmorecer nos braços do mar
Agora que o teu corpo já se chama ausência
não me peças beijos sem lágrimas
porque eu não tos consigo dar
mas prometo-te que mesmo com o coração a doer
vou sempre saber olhar o céu e sorrir
como forma de te abraçar
um beijo, mãe
até sempre
sexta-feira, julho 18, 2008
No adormecer dos teus dias...

Há no adormecer dos teus dias um sussurro mágico, que vai além do encantamento, que me inebria e mantém inerte, ao sabor da vontade das íris extasiadas...
Olho-te para lá da distância e do recorte da solidão q transpiras... e respiro-te. Emprenho de ti o sal da vida e o ondular dos dias. Empresto-te as palavras para q possas vestir o voo das gaivotas de poesia e, em troca, ofereces-me a beleza dos flamingos em bando, rosando assim os meus sonhos , agora plenos de bailados graciosos e tranquilos.
Não me canso de te olhar no adormecer dos dias. De te olhar e de te sorrir...
Sabes-me a restos de infância e ao desabrochar dos sentidos... em ti deposito as pétalas de malmequeres desfolhados no seio da ânsia de viver , as lágrimas cristalizadas de mel desperdiçado em desgostos gaiatos e agora tão distantes, e aqueles sorrisos que transbordavam do peito nas horas das fogueiras a crepitar por trás dos acordes de uma qualquer guitarra perdida nos braços da lua...
Sonho-te ainda no adormecer dos dias, embalada pelo som dos beijos com sabor a fim do mar e a camarinhas... e sei-te minha cúmplice no relembrar dos pés descalços, gravados ao correr das tuas margens...
Olhar-te em silêncio no fundo dos meus versos é saber-te permanência naquele pedaço de alma que escolhi para guardar em mim a magia do adormecer dos dias no teu regaço, berço da lua...
Cris (Paisagens q não sei pintar)
sábado, julho 12, 2008
amanhecer...

Das tuas mãos nascem madrugadas
de sonhos, e sementes de alvoradas
Há marés de vontade nos teus olhos
e na tua língua o jejum de um dia santo
que conhece seu quebranto
no mais profundo de mim
Ahhh... e há sinais de sorrisos
nas pregas da tua pele
mel q em ti deposito assim
ao roçar de leve os teus lábios...
Cris (Dos meus lábios nasce a noite)
quinta-feira, julho 03, 2008
Kids...

Filhos do silêncio e da amargura
da loucura, do desprezo e da ignorância
tantas vezes frutos amargos
da inocência e da aventura
Pedaços de lama vestidos de vergonha
caras lavadas somente nas lágrimas
de uma mão estendida e esfomeada
que não se atreve a tocar ninguém
como se fora doença ou peçonha
que se escuda do insulto e do desdém
Olhares vivos e ferventes
disfarçados de cansaços e de ausências
sorrisos ricos mas mendigos
de um pingo de leite ou de simples pena
carícia em tons de pão onde o sonho é a manteiga
e o "LÓ" seria o paraíso
Filhos de ninguém e nem do mundo
para quem o cartão se chama leito
e no peito guardam o q têm de mais seu e mais perfeito
um pedaço de músculo que alguém lhes deu
e que luta sem salário e sem refreios
pelo nome que teima em não perder
pois que lho deram de graça: "coração"
e não a "pedra" com que se começa a parecer
Se estes filhos tivessem mães e regaços
em vez de pedras de chão por abraços
Saberiam talvez ainda assim a cor da fome
mas saberiam sempre que eram gente
em vez de ratos...
Cris ( Ecos...)
sexta-feira, junho 20, 2008
assim...

Da transparência das palavras germina espontaneamente a alma de quem as escreve...
deixa-te levar, amor
ao sabor da vontade
do vento nos meus ombros nus
e do desejo dos teus dedos
deixa-te levar, amor
pela sede da minha pele
e descobre nela os segredos
q só tu sabes encontrar
deixa-te ficar, amor
assim como quem descansa
deixa-te estar, amor
em mim...
Cris , do silêncio e da pele
domingo, maio 25, 2008
Contigo... estava numa experiência religiosa

De mãos dadas olhámos o céu…
Chorava…
Procurámos no azul a paz q tardava
No nosso peito confundiam-se as lágrimas
Com as do céu, frias
E as nossas bocas amordaçadas pelo medo
Pediam fervorosamente aos dias
O recobro da madrugada na calmaria de um sol nascente
Que nos inundasse de magia
Pediste-me q te ensinasse a rezar
E eu já n sabia que o sorrir também é orar
E chorava…
Encostaste as palmas da tua mão ao meu rosto
E disseste-me saber apenas amar
O céu parou de chorar…
Entrelacei os meu dedos nos teus
Em sinal de prece erguemos ao céu as mãos
E de corpos e almas em comunhão
Colámos os lábios para amar
O céu sorriu então…
Amando…fomos nós a oração!
Cris (Transparências)
domingo, março 16, 2008
No entrelaçar das almas...
vem cá...
dancemos encostados
numa mistura de cheiros doces
apetece-me o cheiro da tua pele
não sei se danço se voo...
sinto os movimentos lentos do teu corpo
e os teus braços num apertar suave
enrosco-me no teu abraço
mandei-te o recado das saudades
porque me fazias falta
sinto a proximidade dos teus lábios
e descanso a cabeça no teu ombro
enquanto a música me escorre pela pele
e beijo-te as pálpebras na ternura das palavras
que não digo
mas que adivinhas
depois deslizo e aninho-me no teu pescoço
na espera do falar das pontas dos teus dedos
que me dizem que me sentes... e eu sinto-te...
sabes-me a mel
e a cerejas trincadas na ponta dos nossos lábios
colados...
sinto-lhes o sabor
sinto a frescura do suco do voo da tua alma em mim
no sorriso que me vem de ti
e o ar em meu redor passa a ser a tua pele
e a luz que me chega do candeeiro o teu odor
e a saliva que revolvo sem destino
o poema onde te chamo amor...
e caminho na tua pele
no vagar de quem sente a saliva no escorrer dos lábios
que te amam as palavras e os beijos
e inspiro
como se o som das palavras que não dizes fossem o meu respirar
respira-me também
por momentos
e ouvir-me-ás chamar-te amor
e cada momento de silêncio
é o toque mais doce que alguma vez senti...
e é magia ...
porque sou em ti e estou contigo...
porque em ti tenho espaço e chão
e sinto no coração o correr de um rio sem sobressaltos e sem marés
porque te amo numa paz que me semeia na alma o sorrir que te quero dar...
porque somos um poema a dois
num ritmo cadenciado e num respirar de sílabas
que se cruzam numa rima branca que nos leva à melodia
e nos deixa dançar livremente...
dá-me esse beijo!
e a distância desapareceu
porque não tinha mais espaço entre nós...
e mergulho em ti em cada uma das gotas que bebes de mim...
dissolvo-me na essência que te percorre o corpo
e na cadência do nascer das estrelas
nesta madrugada em que conseguimos o entrelaçar das almas
e não quero voltar a ser só!
Cris (Sem Distância)
sábado, dezembro 29, 2007
a saia das preguinhas...

Às vezes apetecem-me os passeios sem estrada nem trilho e, simplesmente, vou caminhando...
Hoje, fui até uma saia de preguinhas, de um xadrezinho em tons de azul, que recordo num colo seguro e risonho que já partiu... Nessa saia das preguinhas, eu lembro como era bom correr ao longo do caminho que me levava a casa da ti Encarnação do Torcato, que me sorria por entre a falta tão grande de dentes e me dizia, plena de ternura, como quem ralha a brincar: "Lá vem o diabrete das coxinhas gorduchas... Olha que tu num t'alembres de me soltar os patos, mafarrica! "E eu lá lutava contra o desejo de a ver naquela correria extraordinariamente manca atrás dos bichinhos... e acabava por não os soltar... Depois era o aroma do leite acabadinho de tirar e o ti Torcato, sempre apoiado no seu velho cajado, e a coçar os poucos cabelos que lhe restavam, na velha azáfama de ir levar o leite ao posto: "Queres vir comigo cachopa? Levo-te em cima da vaca... " Fascinava-me a ideia de ir em cima da Formosa, mas a avó podia ralhar... E nunca fui!
Noutros dias a minha saia de preguinhas levava-me com a Ana em busca de musgo fresquinho e bem verde para enfeitar o presépio que ia encher completamente o vão das escadas e subir em estrelas e luzes ao longo do pinheiro que o Sr. António todos os anos ia cortar ao pinhal, para dar de presente ao Avô Pinto...
E o que eu sonhava junto daquele presépio a transbordar de imagens que ganhavam vida logo que banhadas pelas luzes de tantas cores... Durante semanas aquele era o lugar mais bonito do mundo e as minhas brincadeiras e sonhos passavam a ter uma paisagem cheias de trilhos por onde os meus deditos passeavam transformando-se em pastores, moinhos, ovelhas, reis ou anjos... apanhava as flores mais pequeninas que encontrava no jardim para tornar aquele paraíso mais real, e dava até uma casa aos bichinhos-de-conta do quintal que tinham, concerteza, no Natal, um espaço cheio de amor e carinho para se enrolarem confortavelmente nos seus medos... às vezes eram caracóis e até sardões, porque as crianças ainda não cresceram o suficiente para terem nojo ou medo dos animais do jardim...
O pior é que a avó já era crescida e quando dava conta da bicharada fazia do chinelo uma rebarbadora e punha abaixo o bairro de lata do meu presépio...
Eu... ficava de castigo e a minha saia de preguinhas enxugava-me as lágrimas...
Depois, mais tarde, chegava o meu colo imenso que me aconchegava ao peito, enquanto endireitava a minha saia de preguinhas e me dizia: "Porque é que a minha menina faz tantas asneiras?"
Não eram... mas ele não sabia! Afinal também já tinha crescido...
Cris (Do Jardim da Minha Alma)
sábado, dezembro 22, 2007
Nesta manhã em que quero o Natal!...

Acorda comigo nesta manhã em que quero o Natal
Ajuda-me a espreguiçar e a sentir os primeiros raios de sol
Sorri para mim no mesmo sorriso que te dou e que é igual
A todos os sorrisos que tomam o olhar por farol
E se misturam nas ternuras e carícias do amanhecer...
Vamos estender os nossos corpos para além da cama
Pisar o chão macio num contorno do que está para além de nós.
Podemos ser as luzes cintilantes da árvore, símbolo de quem ama
E darmo-nos os presentes divinos que ecoam para além da voz
E nos fazem, de vida e de amor, estremecer...
Abandona-te comigo num abraço para além do espaço e do tempo
Um abraço para esquecer murmúrios e lamentos
Daqueles em que os braços são só pele e mãos e desejo
E o coração num instante abarque o mundo
Para nos darmos de presente o presente mais profundo:
Um acordar pleno de nós... cobertos de beijos!
Cris (Transparências)
sábado, outubro 27, 2007
momentos...
Quando entro e aconchego nos teus braços abarco o mundo inteiro na sorriso que nasce na minha alma... adormeço os medos e alheio-me das ausências. Serenamente adentro os teus afagos e colho-os nas pontas dos meus dedos no simultâneo do percorrer a tua pele... e sacio-me de ti!
Dizes-me então o silêncio no discurso mais profundo que jamais senti... e devolves-me assim o renascer dos sonhos nados no éter e na luz... Desenho então, no contorno dos teus lábios, a doçura com que me adentras como se este beijo que te dou fosse o mais sedoso dos pincéis e abandono-me na vertigem do momento...
É assim q concebo o etéreo e a beleza do infinito!
Apenas assim!
Cris (Para além de mim)