sexta-feira, maio 26, 2006

habitando(-nos)...


Carved

Da transparência das palavras germina espontaneamente a alma de quem as escreve...

Habito-te

debaixo da minha pele

nela te encontro

porque é nela que estás

ainda

estás no perfume doce

das minhas pálpebras

a cada vez que as descerro

e te encontro

guardo as tuas mãos nas minhas

na força crispada em comunhão

e guardo em mim o momento

em que fomos grito

eu mar

tu vulcão



Cris, De um tempo sem tempo

sábado, dezembro 31, 2005

O Pássaro da Alma




"João, paras quieto ou tenho que te dar uma palmada?"

Ficou quieto de repente, saltou para o meu colo, no sofá, e perguntou-me com um ligeiro sorriso, vestido de espanto:

"Foi o teu pássaro da alma que abriu a gaveta de estar zangado?"

Foi a minha vez de experimentar o espanto. Apanhada completamente de surpresa, não conseguia perceber se estava a tentar distrair-me a atenção do que me tinha feito zangar ou se estava simplesmente a "mangar" comigo...

"Tu não penses que me fazes esquecer a palmada. Ora volta lá a fazer a mesma asneira e vais ver se há pássaro que te salve... Ai, ai, ai"

"Mas tu não me respondeste. Foi o teu pássaro da alma?"

"Mas que conversa é essa?"

"Então tu não sabes que vive um pássaro dentro de nós? Oh, mãe, eu conto-te!Ele chama-se Pássaro da Alma e vive num sítio muito fundo, dentro do peito das pessoas... foi a Mafalda que nos contou hoje..."

"E esse sítio é...?"

"É a nossa alma, mãe! E lá, no fundo dela, há muitas gavetas... a gaveta de estar zangado, a gaveta de ficar contente, a de ter sono, a de ter fome, a de ficar triste, a de chorar... e até há gavetas de ter vontade de dar coisas às pessoas!"

" Que coisas, filho?"

"Beijinhos... queres um? Se eu te der um beijinho pode ser que o teu Pássaro da Alma feche a gaveta de estar zangado..."

Olhei bem no fundo daqueles olhitos expectantes e não consegui disfarçar a ternura de um sorriso. Nesse momento, senti no fundo do meu peito o movimento de uma velha gaveta a fechar... e o crescer de umas asas que me impeliram a voar ao mundo do meu menino-homem que, ainda no meu colo, esperava ansiosamente uma resposta minha, como se essa fosse a confirmação da veracidade daquela história lindíssima, contada pela Mafalda!Abracei-o devagarinho, muito devagarinho para que tivesse tempo de perceber a imensidão do meu Sim... e sosseguei-o:

"O Pássaro da Alma já fechou a gaveta de estar zangado, mas disse-me que voltava a abri-la se tu fizesses asneira outra vez... Por isso vamos lá a pensar os dois no que havemos de fazer para o Pássaro só abrir as gavetas das coisas boas... O que achas?"

"Mas eu sei! Olha, não podemos trancar as gavetas sem ele ver porque essas gavetas não têm chaves, mas podemos ter vontade de fazer as coisas bem e o Pássaro da Alma passa as coisas boas para as gavetas de cima e esquece-se das gavetas de baixo, onde ficaram as coisas más... Ele gosta de beijinhos e tu também. Eu dou-te muitos beijinhos, não faço asneiras e pronto!

"Combinado! Vamos lá ajudar o Pássaro da Alma a arrumar as coisas boas nas gavetas de cima! Dá cá um beijo grandeeeeeeeeeeee!"

Agora já entendo os ruídos da Alma nos dias cinzentos... É o Pássaro da Alma a arrumar as gavetas! Logo que se esquece das debaixo, a alma serena e a paz invade-me!Eu pedi-lhe que reservasse a gaveta mais acima de todas para colocar lá estes momentos doces da minha vida... e que a deixasse sempre aberta!...

Cris (Do Fundo do Meu Arco-íris)

Desejo que em 2006 todos saibamos abrir as gavetas de cima das nossas almas e de lá podermos retirar a paz, o amor e a tranquilidade que nos permitam saber viver este mundo com a sinceridade que aprendemos das crianças!

Um beijo a todos
Cris

terça-feira, dezembro 27, 2005

Quando me dou...

sentido1.jpg



Dou-te o meu corpo em foz
no querer do teu nele nascente

Pelo chão derramo as vestes
véus-prisão da cor das correntes

e desamarro de mim o aqui-agora
o destino, as raízes e a memória...

Transpiro apenas momento
sem espaço e sem história
sou poeira trazida pelo vento
pergaminho sem palavras ou glória
mas alma viva e sedenta
de ti corrente de rio bravo
em agitado movimento

E aqui neste espaço para além do mundo
enlaço-te-me pela cintura
e troco a vida pelo segundo
em que juntos sejamos tão somente loucura
e nos desintegremos em marés vivas e puras
derramadas em mim por ti tão profundo...

depois... dou-te um sorriso desnudo
e nos teus braços adormeço!

Cris
Palavras para te sonhar

segunda-feira, dezembro 26, 2005

De coração aberto!...

Amigos/as,

Que o vosso Natal tenha sido replecto de paz, de amor e de desejos concretizados.

Não me foi possível deixar aqui, ou nos vossos blogs, uma mensagem de Natal em tempo mais oportuno, mas n esqueci da forma doce e carinhosa que me têm tratado e de todo o apoio q me têm dado para q nunca esqueça como é bom escrever. Por tudo isso vos agradeço mais uma vez e vos deixo aqui o desejo de um 2006 pleno de alegrias e de felicidade.

Por aqui continuarei e, espero, que de agora em diante, de novo com o ritmo com q comecei. Por algum tempo foi-me impossível, por questões de saúde, estar no pc, mas vinha sempre q possível espreitar os vossos comentários que tanto me ajudaram a ficar bem. Visitei os vossos blogs em silêncio pq o tempo q podia estar por aqui n me permitia fazer comentários, mas estive sempre com todos e por isso vos digo simplesmente: BEM_HAJAM!

Um beijo
Cris

segunda-feira, outubro 31, 2005

Desafio-te!...


Pormenores
Originally uploaded by
Cris6.

Não quero mais sentir as arestas do silêncio... ferem-me a alma e cravam-se-me na pele...
Desafio-te ao duelo da palavra... sem gumes e sem reservas!
Desamarra-te dos medos e olha os meus lábios... mergulha nos gestos que lhes adivinhares e permite-te sentir-lhes o sumo das palavras...
Guardarei no céu da minha boca o som ensalivado do verbo que anseias afagar nos teus ouvidos... apagaste o tempo com o silêncio.
Talvez consigas aprender a ler a alma se souberes melodiar os lábios, mas terás que aceitar este duelo...

Permaneci no longe, aquietada na sombra da saudade, a observar-te... Sei de ti... sei da sede dos teus lábios e da loucura q percorre as pontas dos teus dedos... sei do soluço q te prende todos os gritos que moram em ti... mas tb sei dos teus medos!... E por isso te desafio agora...

Abre as tuas mãos e deita-te nelas... sente-lhes o sabor do vazio e da saudade... E abandona-te, amorfo de vontade, no remoínho que nasce delas... mas fá-lo apenas se é assim que queres viver a eternidade...

Eu... permaneço aqui... rasgarei o tempo se for preciso... mas saberei sempre sorrir pq nunca aceitei o silêncio por verdade... e nunca fugi ao som da palavra...

Desafio-te? Sim... assim mo pede a saudade!

Cris (Nas Arestas do Silêncio)

quinta-feira, outubro 13, 2005

Quem sabe... talvez...


teia
Originally uploaded by Cris6.
Vem daí conversar comigo porque a noite está escura...

Senta nessa pedra que talvez não exista mas q invento

E deixa-me aninhar aqui aos teus pés com ternura...

Sim, amor, pouso a cabeça no teu colo e choro

Enquanto as tuas mãos me acalmam e me secam os lamentos...



É nesse teu sorriso que eu me escondo e onde eu moro...

É nessas tuas mãos que abandono as vestes de guerreira.

Quero o teu corpo por abrigo e por esteira

Nele me rendo enquanto nestes dedos me abandono

E te digo como me sinto quando me deito na bebedeira

Do cheiro da tua pele para te sentir meu dono...



Estranhas talvez que me desarme e parta de mim como num sonho

Mas não suporto mais o peso da armadura e da máscara de ferro...

Batalho por um mundo de sorrisos e sou guerreira pela vida

Mas também sei como doi sentir-me perdida quando não sei sair dos escombros...



Nestas horas sinto o frio da nudez no consolidar da ausência

E sei que é ténue a linha da lucidez que me consente a permanência...

Sei q me estranhas tão nua... tão vazia de beijos e de gestos lentos

Mas não basta ser tua para esquecer que não existo... já nem sou gente!



Cobre-me da paz que se desprende dos teus braços...

Talvez o abraço me desperte... e me aqueça...

Talvez o meu corpo arqueie novamente

E o meu ventre no teu ventre nos enlouqueça...

Talvez os teus olhos ainda saibam sorrir e aos meus apeteça

Aprender a lutar de novo... e a vestir mais uma vez a limalha

Que me protege a alma do escuro e do medo da noite...



E, quem sabe, meu amor...talvez o amor aconteça!...


Cris (Do Silêncio e da Pele)

terça-feira, outubro 04, 2005

No momento...


.

É quando fecho os olhos que melhor te vejo...
É quando toco a tua ausência que melhor te sinto...
É fora do espaço que te encontro...
É fora do tempo que te sei amar...

É lá onde os reflexos são memórias
Das histórias e dos versos que componho
Enquanto me elevo no leve fumegar da chicória
E dos doces antigos que ainda saboreio em sonhos
Que eu te encontro, e te despego da gaveta
Daquela cómoda que mantenho no canto mais recôndito
Da minha alma...
Para te beijar!

Tão Lua…
Tão Tua…
Tão Nua!



Cris (Sem distância )


Meus amigos,
Queria responder a todos os vossos comentários... um por um. Mas, de momento vejo-me impossibilitada de o fazer porque a minha vida profissional n mo tem permitido.
Não posso, no entanto, deixar de vos dizer q as vossas palavras me têm alimentado a vontade de não parar de escrever em caso algum, bem como de retomar o ritmo das minhas visitas aos vossos blogs, tão logo me seja possível. Tenho-vos visitado em silêncio e por isso n podia deixar de vos agradecer aqui, bem alto, todo o apoio q me têm dado.

A todos, sem excepção, um beijo do tamanho da lua e um imenso OBRIGADA!

Bem-hajam e até já!

Cris

quarta-feira, setembro 14, 2005

Quando deito as palavras no meu colo...

t-o-m Posted by Picasa

Agarro as palavras, soltas no ar, quando dançam em cornucópias de sentires… e faço-as minhas!
Pinto-as… bordo-lhes sons e visto-as de histórias. Às vezes tenho q as deixar adormecer no meu colo para q saibam ser pequeninas. Outras vezes encosto-as apenas ao peito e ensino-as a crescer. Nem sempre querem. Têm medo! Nessas alturas tenho q as olhar bem de frente, nos olhos, e, beijá-las… É um beijo doce. Ensalivo-as… Aprendem a sorver desse beijo o mel e a ternura, mantos-leme da vida.
Depois, fecho os olhos ao tempo q as afago e permito-lhes viajar em mim. Sinto-as percorrerem-me as veias na busca incessante de trilhos que eu própria desconheço! Sei-as no esventrar de cada recanto do q sou e no emergir de cada poro da minha pele. Deixo-as livres em mim! Procuram vestígios de imagens que invento, cenas de histórias q sonho, desejos a germinar das sementes q ingiro, sombras de momentos de mim…
Sei q sentem necessidade absoluta de uma qualquer prova da evidência do q transmitem quando depositam na minha saliva um trago intenso de suor e desânimo.
É então que as chamo às palmas das minhas mãos e lhes digo calmamente que o meu corpo n é o local certo para as suas buscas. Todas as provas… qualquer vestígio das histórias com q as visto estão apenas naquele cantinho da minha alma onde mora a imaginação…
Entendem, finalmente, como podem dançar nas pontas dos meus dedos. Basta-lhes fechar os olhos, como eu, e abrir a gaveta da alma onde habitam as palavras imaginadas, suas irmãs, e dar-lhes as mãos como se asas fossem… e voar!

Das pontas dos meus dedos saltam como se de trampolins e, em cornucópias de sentires conscientemente imaginados, crescem em coreografias de danças mágicas. Felizes, sentem o palco nos olhos de quem as lê e as palmas nos beijos e nas lágrimas que por aqui ficam…

Nos meus lábios aprenderam a semear sorrisos quando regressam cansadas e me adormecem no colo!

Cris (Do jardim da minha alma)

quinta-feira, setembro 08, 2005

sobre o poente...


. Posted by Picasa


gosto do pôr-do-céu
no pô-do-sol no mar

e do pôr-do-sol no mar
no adentrar da terra

quero o pôr-dos-teus-olhos
no pôr-do-céu dos meus
e adentrar os meus-mar
nos teus-terra

com o pôr-do-sol no mar
ao fundo... sobre o Poente...


Cris ( Do Silêncio e da Pele )

terça-feira, agosto 16, 2005

Férias

Hoje venho apenas desejar boas férias a todos!

Chegou a minha vez de descansar um pouco. Vou... mas volto num instante!

Beijinhos

Cris

sexta-feira, agosto 05, 2005

Gostava...


. Posted by Picasa

Gostava de saber como estás… O que fazes por aí…
Gostava até de saber como são as janelas desse lugar!

Quando tenho saudades tuas solto em mim a fantasia, invento asas e entrego-me aos braços do vento… morno, que me leva ao sabor do acaso. Sobrevoo mares e ilhas, vales e montanhas, rios, desertos e savanas.
Quando o cansaço me vence, sento-me num qualquer ponto do universo, fecho os olhos e nos meus braços estendidos espero sentir um abraço teu.

Nessas alturas sei q me bastaria o reflexo de um sorriso teu, ainda q não o alcançasse…
Bastar-me-ia um qualquer sinal de vida… qualquer q fosse a forma…
Um vestígio de ti bastaria…

Mas é o silêncio e a ausência q me dão as mãos… é o vazio que me encontra e me abraça… é o avesso do tempo que vem ao meu encontro…

Resta-me inverter o olhar e entrar em mim… descer os degraus da vida e desembrulhar as recordações que me levam ao teu colo e ao tempo das tuas mãos e dos sorrisos nos teus lábios. Aí, sim, encontro o eco da tua voz, forte e doce. Devolvo-te um sorriso… o mesmo q n tive tempo de te dar antes de partires, e deixo-me ficar assim, como quem espera q o tempo pare um pouco e me deixe sentir-te por algum tempo em mim…

Fechar a gaveta das recordações que guardo na alma, é sempre um momento de dor … só uma lágrima perdida ao longo do meu rosto a sabem fechar…
Mas não fiques triste, não é uma lágrima apenas de água e sal… é também de saudade e de amor!

Gostava tanto, pai, de saber como se existe para além da partida…
Gostava tanto de saber que, um dia, me poderei sentar num qualquer ponto do universo, a descansar, contigo ao meu lado, com a cabeça encostada no teu ombro…
Gostava de saber ler os sinais do tempo!

Vou agora recolher as minhas asas… aproveito o vento para te soprar um beijo…
Gostava q chegasse a ti!


Cris (Conversas contigo…depois!)

sexta-feira, julho 29, 2005


. Posted by Picasa

Vem...
Ofereço-te-me regaço-sorriso... vem apenas, ausente de palavras que eu saberei ler-te nos lábios o beijo que me trouxeres...
Vem...
E saberás no meu olhar a vontade de te guardar em mim...

Dar-te-ei apenas o momento dos silêncios sem mundo que mora no seio dos meus braços.
Serei apenas ventre no acolher do teu olhar e saberei ser tempo sem compasso para q possas serenar.
Guardarei no meu peito os gritos q te ferem a garganta e calarei nos lábios as mágoas q me deres a guardar...

Vem... somente!

Cris ( Transparências)

terça-feira, julho 26, 2005

No adormecer dos dias...


. Posted by Picasa

Há no adormecer dos teus dias um sussurro mágico, que vai além do encantamento, que me inebria e mantém inerte, ao sabor da vontade das íris extasiadas...
Olho-te para lá da distância e do recorte da solidão q transpiras... e respiro-te. Emprenho de ti o sal da vida e o ondular dos dias. Empresto-te as palavras para q possas vestir o voo das gaivotas de poesia e, em troca, ofereces-me a beleza dos flamingos em bando, rosando assim os meus sonhos , agora plenos de bailados graciosos e tranquilos.
Não me canso de te olhar no adormecer dos dias. De te olhar e de te sorrir...

Sabes-me a restos de infância e ao desabrochar dos sentidos... em ti deposito as pétalas de malmequeres desfolhados no seio da ânsia de viver , as lágrimas cristalizadas de mel desperdiçado em desgostos gaiatos e agora tão distantes, e aqueles sorrisos que transbordavam do peito nas horas das fogueiras a crepitar por trás dos acordes de uma qualquer guitarra perdida nos braços da lua...

Sonho-te ainda no adormecer dos dias, embalada pelo som dos beijos com sabor a fim do mar e a camarinhas... e sei-te minha cúmplice no relembrar dos pés descalços, gravados ao correr das tuas margens...

Olhar-te em silêncio no fundo dos meus versos é saber-te permanência naquele pedaço de alma que escolhi para guardar em mim a magia do adormecer dos dias no teu regaço, berço da lua...


Cris (Paisagens q não sei pintar)

segunda-feira, julho 18, 2005

Hoje, sim... sou eu!


sorrindo... Posted by Picasa


Hoje, sim, sou eu!
Olho estas minhas mãos e encontro-lhes vontade de acariciar as palavras...
Solto do peito a garra e agarro as palavras como quem as abraça, como quem as afaga e as beija. Hoje apetece-me um cesto no braço de onde se soltem os ramos de hera num rasto perfumado de primavera e verde... Hoje apetece-me semear um jardim de açucenas e sentir o macio do branco no meu rosto... Hoje renasço de mim mesma como se um mágico germinasse no meu peito e me trouxesse à garganta uma cascata deliciosa de poemas...

Agarro o fruto desfeito em sumo
e deixo escorrer por entre os dedos
o néctar, alimento dos meus sentidos

alheio ao meu sentir ele é sangue
das veias que invento no palpitar das palavras
e alaga-me a alma de um vermelho vivo
no entumescimento das vontades
desnudas de muralhas e firmamentos
vestidas apenas de sonhos e desejos que não minto

E eu sou... sou parte de um poema que vomito
num vómito do extase que consinto
a mim mesma quando voo além das asas
com que visto as palavras em que sinto
a magia das valsas imaginadas
ao ritmo dos teus braços que entrelaço
no sabor das palavras ensalivadas
pelos beijos que nos nascem dos lábios
agora já saciados e ainda tão famintos

Hoje, sim... sou eu!
Cris (Transparências...)

terça-feira, julho 05, 2005

nas asas de um beijo...


Crescem asas no meu peito a cada momento em que respeito o voo dos q por mim passam... Posted by Picasa

_ Que bom deve ser voar...

Proferiste estas palavras como se fosses um condenado e este o teu último desejo... Eu n tinha umas asas para te dar, mas senti q esperavas de mim uma resposta, algo q te convencesse da inutilidade de tal voo...
Querias, sei bem, que te dissesse q voar é simples fantasia de quem nada tem para fazer e que esperava de ti a racionalidade de quem sabe bem onde coloca os pés e a firmeza de quem sabe escolher o seu caminho... E porque sabia q era essa a resposta q esperavas de mim, quase ta dei...
Quando demorei todo aquele tempo no fundo dos teus olhos, foi o tempo q demorou a luta q travei entre a tua vontade e a minha consciência... entre o medo de te desiludir e a defesa do meu acreditar... e foi mais forte do q eu...

_ E o q te impede de voar, amor?

_ Meu Deus, se não te conhecesse como conheço pensaria q acreditas que é possível voar...

_ Repito a pergunta : E o q te impede de voar?

_ Talvez o facto de n ser pássaro, não? Claro q posso sempre apanhar um avião, ou andar de asa delta, mas para o primeiro falta-me motivo e tempo e para a segunda... bem, falta-me a dita...

_ E coragem... não falta?

_ Hum... talvez tb um pouco, mas na ausência do material que interessam as suposições? Vá, mudemos de assunto... Onde queres ir?

_Voar!...

_Mau!... Deixa para lá os voos antes q te cresçam asas na ponta do nariz... eheheheheheh

Não podia parar naquele momento. As asas já cresciam dentro do meu peito e n me apetecia voar sozinha...

_ Vamos voar os dois... chiuuuuuuuuuuuu... n digas nada... encosta o teu peito às minhas costas e abraça-me... agora fecha os teus olhos e encosta o teu rosto no meu ombro... isso!... Esquece o teu corpo... n tens peso... esquece o chão... abraça-me só... sim, assim forte... e deixa-te ir!...
Sente a brisa morna nos ombros e deixa crescer em ti a sensação de umas asas brancas, leves, imensas... deixa q te conduzam aonde a tua alma quer ir... isso! ... Abre agora um pouco o teu abraço... só o espaço para q os meus lábios possam procurar os teus... Não, n abras os olhos... sente apenas...
Quando o meu sorriso se deitar nos teus lábios diz-me apenas o q sentes...

_Como é bom voar contigo, amor!...


Cris (páginas para te sonhar)

quarta-feira, junho 29, 2005

manda embora a solidão...


Fotografia de Jos� Lopes Posted by Hello

Demorada a noite
aperta-me nos seus braços
e fala-me baixinho
de espaços
onde os sonhos se elevam aos sentidos
e
unidos
somos pedaços
e momentos
perfeitos...
.
Terna a noite
segreda-me os corpos suados
colados
em beijos perdidos
e
no bailar dos gemidos
relembra-me as mãos
soltas
livres
como pormenores inconscientes
da ausência de privação...
.
Incendeio...
transbordo de ti...
Sente-me!
.
Cris (Páginas para te sonhar!...)

domingo, junho 26, 2005

Ecos de um dia ao lado de um rio...


Foto de Ana Rita L�cio em Olhares.com Posted by Hello



Há suspiros no leve espreguiçar das tuas ondas
e beijos-luz nos lábios do sol deitado em ti

Há no teu peito gargantilhas de conchas
tesouros que o mar deposita no teu leito
quando em abraços-maré te adentra
e no amor que faz contigo te deleita

Há no teu corpo líquido um brilho de sereia
canto-sorriso de lua encantada
quando no adormecer das tardes
acolhes no teu ventre o casario que se incendeia

E quando no renascer dos dias
te enfeitas do branco das velas já gastas pelos tempos
é ao vento que sorris e às gentes que relembras
a vertente de uma História recheada de momentos
em que foste mulher-estrada ou homem-leme

Hoje és talvez quase só beleza e ponto de encontro
mas manténs na pureza do teu brilho o encantamento
e a magia de quem tem no seu regaço o reflexo
e a vida de duas margens...


Cris ( Ecos...)

terça-feira, junho 07, 2005

Intervalinho...

olhomarrequino_by_sevlaprada.jpg


Meus amigos,
Venho agora aqui, a meio do intervalinho que afinal é um pouco mais longo do q eu tinha previsto, para agradecer a todos/as o carinho q me têm dado, quer aqui ou através do mail ou do telefone.

Sinto por isso q devo a todos uma pequena justificação pela minha ausência.Fui operada à vista para corrigir a minha miopia e a operação faz-se em duas etapas. Desta vez foi o olho direito e no dia 21 será o esquerdo. Correu tudo bem, mas o facto de ter apenas um olho operado provoca-me uma disfunção visual e eu tenho mt dificuldade em ler e em escrever.

Volto logo que consiga demorar menos q uma hora a ler ou escrever um texto deste tamanho. Prometo!

Cris



Amigos,
Vou estar ausente por 2 ou 3 dias. Uma pequena intervenção cirúrgica, mas nada de grave!Volto logo, logo!Até lá um beijinho a todos!



Cris

segunda-feira, maio 30, 2005

Não sei...

flor4.jpg




Cobría-nos um manto de mar e de céu... nas gargantas tremia-nos a vontade de um abraço, socorro de um beijo naufragado pela urgência de lábios.
A paisagem era sol e a estação , a dos aromas das areias a dançar por entre as ervas das dunas ao som da brisa morna de uma manhã morrente...
Não há jardins na beira do mar, mas tu viste-me flor a desabrochar e nas palavras que eu não disse ouviste a minha alma a cantar... Soubeste, então ser sonho e mãos e beijos... Soubeste ser maré e corrente e barco no mar... Soubeste ser da cor do sol poente e eu quiz saber nascer em ti, mulher luar...

Não sei onde acaba, agora, a tua pele e começa o meu corpo... Não sei onde terminam os teus beijos e começam os meus lábios... Não sei onde o teu caule sou eu já a abrir em flor... Sei apenas que gosto de permanecer em ti e que só sei chamar-te de meu amor!


Cris ( Do ventre do mar)

terça-feira, maio 24, 2005

Deste-me o nascer do sol...


. Posted by HelloFotografia: Alfredo de Sousa Ventura

Um dia semeaste o nascer do sol na palma da minha mão e, sorrindo, disseste-me que o tinhas escolhido para me dar por ser o que de mais parecido encontraras com o meu sorriso. Nesse momento, inventei uma lágrima azul, e chorei-a, para ta poder dar... Não querias!... Pensavas que te entristeceria, mas eu lembrei-te que era apenas o que o que eu possuia de mais parecido com o mar!
E tu soubeste que era força e magia e amor o que eu te queria dar!
Depositaste, então, essa lágrima nos teus lábios e, fundindo nos meus olhos o teu olhar, pediste-me que te beijasse suavemente para que a pudesses guardar...

Desde então, a cada nascer do sol, sabem-te os teus lábios a sal... o sal de uma lágrima vestida de barco que não sabe naufragar! ...

Cris ( Dos meus lábios nasce a noite)