sábado, setembro 30, 2006



Esta é a noite das cascatas consentidas... a noite em que cerro as pálpebras e te consumo o sorriso, guardado simplesmente nas memórias q não deixo que o tempo apague de mim!

Esta é a hora em que me aconchego no que de ti deixaste na minha alma, e me deixo adormecer no relembrar dos tempos em q a tua voz ainda soava nos sussurros brandos da vida e os teus braços ainda eram matéria e sentidos...

Não te pergunto a razão da partida, nem te censuro a desistência de ser... apenas me consome a angústia de não teres esperado que te desse um último beijo, ou te pegasse na mão nesse momento...

Dói-me a tua ausência... e não sei deixar-te partir de mim... Talvez por isso te deixe as minhas lágrimas nas pétalas das flores que te ofereço... São os únicos beijos que ainda te posso dar... os únicos que conseguem atravessar a terra que te serve de manto, e que chegam até ao que resta de ti!

Depois... olho-te naquele reflexo gelado do que eras e onde o teu sorriso permanece eternamente estático, olho o céu ... e sorrio-te! E sei que, onde quer q estejas, sentes o quanto eu sinto a tua falta!

Um beijo, pai!

Cris, in Conversas contigo... depois!

terça-feira, setembro 26, 2006

Deus fugiu!


pi Posted by Picasa

Há vozes perdidas na noite, que não se encontram.
Vozes que quebram barreiras e ecoam
No pensamento, como se fossem fileiras,
Em guarda ao momento em que os sonhos acordam
E os braços se transformam em reflexos dessas vozes,
Perdendo-se no roçar dos corpos...

Vagueiam os mortos por sobre a mente plana
Da dama de um qualquer quadro de um falso pintor.
Ama, a dama, vazia de amores, arco-íris em chama, mas sem calor...
Cruzam-se as almas no vazio do espaço,
Ocultam sorrisos e vomitam cansaços
Inebriantes de dor e de desânimo...
E consomem odores amargos e adormecidos
De demónios arquejantes e enfurecidos,
Restos de anjos perdidos pela ausência de sorrisos.

É um quadro parado, surrealismo abafado,
Onde as asas balouçam no pêndulo do Tempo
E os corpos desnudos se espalham e escorregam
Na incerteza dos degraus do espaço.
Em seu redor há frutos mortos
A que o pintor escondeu o podre, mas não deu vida.

Deus fugiu deste quadro,
Tão triste ficou com a vida perdida
Que o pintor nesta tela matou...

Deus fugiu!...




Cris, Fios Ténues de Solidão

sexta-feira, agosto 04, 2006

São disparates... eu sei!


fotografia de Cristina Fidalgo Posted by Picasa

Se soubesses como tenho, tantas vezes, vontade de te pegar no colo, e dizer-te que vou estar sempre por aqui para que nada de mal te aconteça... Rir-te-ias eu sei... Dirias de imediato: " Ó mãe, deixa-te de disparates. Eu já quase nem caibo no teu colo!"
Cabes, filha! Vais caber sempre no meu colo!
Acredita... tenho um regaço do tamanho do mundo... mesmo ao teu tamanho! Um regaço onde haverá sempre espaço para as tuas gargalhadas ou para as tuas lágrimas...
Um regaço que se transformará na noite, para que descanses, ou no dia, para que saibas o sabor do sol...
Porque te digo estas coisas agora, saídas do nada?
Sei lá!... Porque me sentei um pouco nos degraus do tempo e voltei a ti no meu colo... voltei aos dias do teu primeiro sorriso, da tua primeira carícia, do teu primeiro choro sentido, da tua primeira gargalhada a sério, dos teus primeiros passos, dos teus primeiros medos, dos teus primeiros sonhos...
Porque de repente senti medo que o mundo te magoe...
Senti o movimento das horas no crescer dos teus cabelos, nas roupas que não cresciam contigo, na tua vontade de usar os meus sapatos de salto, nas palavras que nasciam dos teus lábios - cada vez mais complexas - no formar das frases cada vez com mais sentido, no desabrochar de temas que faziam nascer nos teus olhos um brilho cada vez maior... Senti, filha!
E de repente dei-me conta que já quase não cabes no meu colo... e fiquei com medo que lhe esquecesses o gosto...
São disparates... eu sei! Mas que queres? Eu sou mãe...
Um beijo do tamanho deste colo....
Cris ( Do fundo do meu arco-íris )

segunda-feira, julho 24, 2006

Retrato de meias-vidas...



Os sonhos boiam nas margens das algas como se alvos anjos de cabelos ao vento...
Enegrecidas, nas vestes e na alma, as mulheres estagnam nas areias, de olhares perdidos nas vagas soltas do mar. Já não esperam vidas, já não esperam sortes... sabem que apenas restos poderão resgatar...
No turbilhão das marés há corpos inertes e inchados, pedaços de vida acabada a meio do que havia para continuar e, nas margens do mundo, há lágrimas e gemidos negros nos rostos de quem não sabe como continuar a amar...
E há olhares despidos de brilho e ombros despidos de braços e lábios despidos de beijos, e, ao longe, no horizonte... nem sequer se vislumbra o luar...
Ficarão, no branco dos areais, os restos das pegadas das mulheres que entregaram metade de si ao mar...

Cris ( Paisagens que não sei pintar)

sábado, junho 24, 2006

Contigo... estava numa experiência religiosa


.
De mãos dadas olhámos o céu…

Chorava…

Procurámos no azul a paz q tardava
No nosso peito confundiam-se as lágrimas
com as do céu, frias
E as nossas bocas amordaçadas pelo medo
pediam fervorosamente aos dias
o recobro da madrugada na calmaria de um sol nascente
que nos inundasse de magia

Pediste-me q te ensinasse a rezar
e eu já n sabia que o sorrir também é orar

E chorava…

Encostaste as palmas da tua mão ao meu rosto
e disseste-me saber apenas amar

O céu parou de chorar…

Entrelacei os meu dedos nos teus
Em sinal de prece erguemos ao céu as mãos
e de corpos e almas em comunhão
colámos os lábios para amar

O céu sorriu então…

Amando…fomos nós a oração!

Cris (Transparências)

sexta-feira, maio 26, 2006

habitando(-nos)...


Carved

Da transparência das palavras germina espontaneamente a alma de quem as escreve...

Habito-te

debaixo da minha pele

nela te encontro

porque é nela que estás

ainda

estás no perfume doce

das minhas pálpebras

a cada vez que as descerro

e te encontro

guardo as tuas mãos nas minhas

na força crispada em comunhão

e guardo em mim o momento

em que fomos grito

eu mar

tu vulcão



Cris, De um tempo sem tempo

sábado, dezembro 31, 2005

O Pássaro da Alma




"João, paras quieto ou tenho que te dar uma palmada?"

Ficou quieto de repente, saltou para o meu colo, no sofá, e perguntou-me com um ligeiro sorriso, vestido de espanto:

"Foi o teu pássaro da alma que abriu a gaveta de estar zangado?"

Foi a minha vez de experimentar o espanto. Apanhada completamente de surpresa, não conseguia perceber se estava a tentar distrair-me a atenção do que me tinha feito zangar ou se estava simplesmente a "mangar" comigo...

"Tu não penses que me fazes esquecer a palmada. Ora volta lá a fazer a mesma asneira e vais ver se há pássaro que te salve... Ai, ai, ai"

"Mas tu não me respondeste. Foi o teu pássaro da alma?"

"Mas que conversa é essa?"

"Então tu não sabes que vive um pássaro dentro de nós? Oh, mãe, eu conto-te!Ele chama-se Pássaro da Alma e vive num sítio muito fundo, dentro do peito das pessoas... foi a Mafalda que nos contou hoje..."

"E esse sítio é...?"

"É a nossa alma, mãe! E lá, no fundo dela, há muitas gavetas... a gaveta de estar zangado, a gaveta de ficar contente, a de ter sono, a de ter fome, a de ficar triste, a de chorar... e até há gavetas de ter vontade de dar coisas às pessoas!"

" Que coisas, filho?"

"Beijinhos... queres um? Se eu te der um beijinho pode ser que o teu Pássaro da Alma feche a gaveta de estar zangado..."

Olhei bem no fundo daqueles olhitos expectantes e não consegui disfarçar a ternura de um sorriso. Nesse momento, senti no fundo do meu peito o movimento de uma velha gaveta a fechar... e o crescer de umas asas que me impeliram a voar ao mundo do meu menino-homem que, ainda no meu colo, esperava ansiosamente uma resposta minha, como se essa fosse a confirmação da veracidade daquela história lindíssima, contada pela Mafalda!Abracei-o devagarinho, muito devagarinho para que tivesse tempo de perceber a imensidão do meu Sim... e sosseguei-o:

"O Pássaro da Alma já fechou a gaveta de estar zangado, mas disse-me que voltava a abri-la se tu fizesses asneira outra vez... Por isso vamos lá a pensar os dois no que havemos de fazer para o Pássaro só abrir as gavetas das coisas boas... O que achas?"

"Mas eu sei! Olha, não podemos trancar as gavetas sem ele ver porque essas gavetas não têm chaves, mas podemos ter vontade de fazer as coisas bem e o Pássaro da Alma passa as coisas boas para as gavetas de cima e esquece-se das gavetas de baixo, onde ficaram as coisas más... Ele gosta de beijinhos e tu também. Eu dou-te muitos beijinhos, não faço asneiras e pronto!

"Combinado! Vamos lá ajudar o Pássaro da Alma a arrumar as coisas boas nas gavetas de cima! Dá cá um beijo grandeeeeeeeeeeee!"

Agora já entendo os ruídos da Alma nos dias cinzentos... É o Pássaro da Alma a arrumar as gavetas! Logo que se esquece das debaixo, a alma serena e a paz invade-me!Eu pedi-lhe que reservasse a gaveta mais acima de todas para colocar lá estes momentos doces da minha vida... e que a deixasse sempre aberta!...

Cris (Do Fundo do Meu Arco-íris)

Desejo que em 2006 todos saibamos abrir as gavetas de cima das nossas almas e de lá podermos retirar a paz, o amor e a tranquilidade que nos permitam saber viver este mundo com a sinceridade que aprendemos das crianças!

Um beijo a todos
Cris

terça-feira, dezembro 27, 2005

Quando me dou...

sentido1.jpg



Dou-te o meu corpo em foz
no querer do teu nele nascente

Pelo chão derramo as vestes
véus-prisão da cor das correntes

e desamarro de mim o aqui-agora
o destino, as raízes e a memória...

Transpiro apenas momento
sem espaço e sem história
sou poeira trazida pelo vento
pergaminho sem palavras ou glória
mas alma viva e sedenta
de ti corrente de rio bravo
em agitado movimento

E aqui neste espaço para além do mundo
enlaço-te-me pela cintura
e troco a vida pelo segundo
em que juntos sejamos tão somente loucura
e nos desintegremos em marés vivas e puras
derramadas em mim por ti tão profundo...

depois... dou-te um sorriso desnudo
e nos teus braços adormeço!

Cris
Palavras para te sonhar

segunda-feira, dezembro 26, 2005

De coração aberto!...

Amigos/as,

Que o vosso Natal tenha sido replecto de paz, de amor e de desejos concretizados.

Não me foi possível deixar aqui, ou nos vossos blogs, uma mensagem de Natal em tempo mais oportuno, mas n esqueci da forma doce e carinhosa que me têm tratado e de todo o apoio q me têm dado para q nunca esqueça como é bom escrever. Por tudo isso vos agradeço mais uma vez e vos deixo aqui o desejo de um 2006 pleno de alegrias e de felicidade.

Por aqui continuarei e, espero, que de agora em diante, de novo com o ritmo com q comecei. Por algum tempo foi-me impossível, por questões de saúde, estar no pc, mas vinha sempre q possível espreitar os vossos comentários que tanto me ajudaram a ficar bem. Visitei os vossos blogs em silêncio pq o tempo q podia estar por aqui n me permitia fazer comentários, mas estive sempre com todos e por isso vos digo simplesmente: BEM_HAJAM!

Um beijo
Cris

segunda-feira, outubro 31, 2005

Desafio-te!...


Pormenores
Originally uploaded by
Cris6.

Não quero mais sentir as arestas do silêncio... ferem-me a alma e cravam-se-me na pele...
Desafio-te ao duelo da palavra... sem gumes e sem reservas!
Desamarra-te dos medos e olha os meus lábios... mergulha nos gestos que lhes adivinhares e permite-te sentir-lhes o sumo das palavras...
Guardarei no céu da minha boca o som ensalivado do verbo que anseias afagar nos teus ouvidos... apagaste o tempo com o silêncio.
Talvez consigas aprender a ler a alma se souberes melodiar os lábios, mas terás que aceitar este duelo...

Permaneci no longe, aquietada na sombra da saudade, a observar-te... Sei de ti... sei da sede dos teus lábios e da loucura q percorre as pontas dos teus dedos... sei do soluço q te prende todos os gritos que moram em ti... mas tb sei dos teus medos!... E por isso te desafio agora...

Abre as tuas mãos e deita-te nelas... sente-lhes o sabor do vazio e da saudade... E abandona-te, amorfo de vontade, no remoínho que nasce delas... mas fá-lo apenas se é assim que queres viver a eternidade...

Eu... permaneço aqui... rasgarei o tempo se for preciso... mas saberei sempre sorrir pq nunca aceitei o silêncio por verdade... e nunca fugi ao som da palavra...

Desafio-te? Sim... assim mo pede a saudade!

Cris (Nas Arestas do Silêncio)

quinta-feira, outubro 13, 2005

Quem sabe... talvez...


teia
Originally uploaded by Cris6.
Vem daí conversar comigo porque a noite está escura...

Senta nessa pedra que talvez não exista mas q invento

E deixa-me aninhar aqui aos teus pés com ternura...

Sim, amor, pouso a cabeça no teu colo e choro

Enquanto as tuas mãos me acalmam e me secam os lamentos...



É nesse teu sorriso que eu me escondo e onde eu moro...

É nessas tuas mãos que abandono as vestes de guerreira.

Quero o teu corpo por abrigo e por esteira

Nele me rendo enquanto nestes dedos me abandono

E te digo como me sinto quando me deito na bebedeira

Do cheiro da tua pele para te sentir meu dono...



Estranhas talvez que me desarme e parta de mim como num sonho

Mas não suporto mais o peso da armadura e da máscara de ferro...

Batalho por um mundo de sorrisos e sou guerreira pela vida

Mas também sei como doi sentir-me perdida quando não sei sair dos escombros...



Nestas horas sinto o frio da nudez no consolidar da ausência

E sei que é ténue a linha da lucidez que me consente a permanência...

Sei q me estranhas tão nua... tão vazia de beijos e de gestos lentos

Mas não basta ser tua para esquecer que não existo... já nem sou gente!



Cobre-me da paz que se desprende dos teus braços...

Talvez o abraço me desperte... e me aqueça...

Talvez o meu corpo arqueie novamente

E o meu ventre no teu ventre nos enlouqueça...

Talvez os teus olhos ainda saibam sorrir e aos meus apeteça

Aprender a lutar de novo... e a vestir mais uma vez a limalha

Que me protege a alma do escuro e do medo da noite...



E, quem sabe, meu amor...talvez o amor aconteça!...


Cris (Do Silêncio e da Pele)

terça-feira, outubro 04, 2005

No momento...


.

É quando fecho os olhos que melhor te vejo...
É quando toco a tua ausência que melhor te sinto...
É fora do espaço que te encontro...
É fora do tempo que te sei amar...

É lá onde os reflexos são memórias
Das histórias e dos versos que componho
Enquanto me elevo no leve fumegar da chicória
E dos doces antigos que ainda saboreio em sonhos
Que eu te encontro, e te despego da gaveta
Daquela cómoda que mantenho no canto mais recôndito
Da minha alma...
Para te beijar!

Tão Lua…
Tão Tua…
Tão Nua!



Cris (Sem distância )


Meus amigos,
Queria responder a todos os vossos comentários... um por um. Mas, de momento vejo-me impossibilitada de o fazer porque a minha vida profissional n mo tem permitido.
Não posso, no entanto, deixar de vos dizer q as vossas palavras me têm alimentado a vontade de não parar de escrever em caso algum, bem como de retomar o ritmo das minhas visitas aos vossos blogs, tão logo me seja possível. Tenho-vos visitado em silêncio e por isso n podia deixar de vos agradecer aqui, bem alto, todo o apoio q me têm dado.

A todos, sem excepção, um beijo do tamanho da lua e um imenso OBRIGADA!

Bem-hajam e até já!

Cris

quarta-feira, setembro 14, 2005

Quando deito as palavras no meu colo...

t-o-m Posted by Picasa

Agarro as palavras, soltas no ar, quando dançam em cornucópias de sentires… e faço-as minhas!
Pinto-as… bordo-lhes sons e visto-as de histórias. Às vezes tenho q as deixar adormecer no meu colo para q saibam ser pequeninas. Outras vezes encosto-as apenas ao peito e ensino-as a crescer. Nem sempre querem. Têm medo! Nessas alturas tenho q as olhar bem de frente, nos olhos, e, beijá-las… É um beijo doce. Ensalivo-as… Aprendem a sorver desse beijo o mel e a ternura, mantos-leme da vida.
Depois, fecho os olhos ao tempo q as afago e permito-lhes viajar em mim. Sinto-as percorrerem-me as veias na busca incessante de trilhos que eu própria desconheço! Sei-as no esventrar de cada recanto do q sou e no emergir de cada poro da minha pele. Deixo-as livres em mim! Procuram vestígios de imagens que invento, cenas de histórias q sonho, desejos a germinar das sementes q ingiro, sombras de momentos de mim…
Sei q sentem necessidade absoluta de uma qualquer prova da evidência do q transmitem quando depositam na minha saliva um trago intenso de suor e desânimo.
É então que as chamo às palmas das minhas mãos e lhes digo calmamente que o meu corpo n é o local certo para as suas buscas. Todas as provas… qualquer vestígio das histórias com q as visto estão apenas naquele cantinho da minha alma onde mora a imaginação…
Entendem, finalmente, como podem dançar nas pontas dos meus dedos. Basta-lhes fechar os olhos, como eu, e abrir a gaveta da alma onde habitam as palavras imaginadas, suas irmãs, e dar-lhes as mãos como se asas fossem… e voar!

Das pontas dos meus dedos saltam como se de trampolins e, em cornucópias de sentires conscientemente imaginados, crescem em coreografias de danças mágicas. Felizes, sentem o palco nos olhos de quem as lê e as palmas nos beijos e nas lágrimas que por aqui ficam…

Nos meus lábios aprenderam a semear sorrisos quando regressam cansadas e me adormecem no colo!

Cris (Do jardim da minha alma)

quinta-feira, setembro 08, 2005

sobre o poente...


. Posted by Picasa


gosto do pôr-do-céu
no pô-do-sol no mar

e do pôr-do-sol no mar
no adentrar da terra

quero o pôr-dos-teus-olhos
no pôr-do-céu dos meus
e adentrar os meus-mar
nos teus-terra

com o pôr-do-sol no mar
ao fundo... sobre o Poente...


Cris ( Do Silêncio e da Pele )

terça-feira, agosto 16, 2005

Férias

Hoje venho apenas desejar boas férias a todos!

Chegou a minha vez de descansar um pouco. Vou... mas volto num instante!

Beijinhos

Cris

sexta-feira, agosto 05, 2005

Gostava...


. Posted by Picasa

Gostava de saber como estás… O que fazes por aí…
Gostava até de saber como são as janelas desse lugar!

Quando tenho saudades tuas solto em mim a fantasia, invento asas e entrego-me aos braços do vento… morno, que me leva ao sabor do acaso. Sobrevoo mares e ilhas, vales e montanhas, rios, desertos e savanas.
Quando o cansaço me vence, sento-me num qualquer ponto do universo, fecho os olhos e nos meus braços estendidos espero sentir um abraço teu.

Nessas alturas sei q me bastaria o reflexo de um sorriso teu, ainda q não o alcançasse…
Bastar-me-ia um qualquer sinal de vida… qualquer q fosse a forma…
Um vestígio de ti bastaria…

Mas é o silêncio e a ausência q me dão as mãos… é o vazio que me encontra e me abraça… é o avesso do tempo que vem ao meu encontro…

Resta-me inverter o olhar e entrar em mim… descer os degraus da vida e desembrulhar as recordações que me levam ao teu colo e ao tempo das tuas mãos e dos sorrisos nos teus lábios. Aí, sim, encontro o eco da tua voz, forte e doce. Devolvo-te um sorriso… o mesmo q n tive tempo de te dar antes de partires, e deixo-me ficar assim, como quem espera q o tempo pare um pouco e me deixe sentir-te por algum tempo em mim…

Fechar a gaveta das recordações que guardo na alma, é sempre um momento de dor … só uma lágrima perdida ao longo do meu rosto a sabem fechar…
Mas não fiques triste, não é uma lágrima apenas de água e sal… é também de saudade e de amor!

Gostava tanto, pai, de saber como se existe para além da partida…
Gostava tanto de saber que, um dia, me poderei sentar num qualquer ponto do universo, a descansar, contigo ao meu lado, com a cabeça encostada no teu ombro…
Gostava de saber ler os sinais do tempo!

Vou agora recolher as minhas asas… aproveito o vento para te soprar um beijo…
Gostava q chegasse a ti!


Cris (Conversas contigo…depois!)

sexta-feira, julho 29, 2005


. Posted by Picasa

Vem...
Ofereço-te-me regaço-sorriso... vem apenas, ausente de palavras que eu saberei ler-te nos lábios o beijo que me trouxeres...
Vem...
E saberás no meu olhar a vontade de te guardar em mim...

Dar-te-ei apenas o momento dos silêncios sem mundo que mora no seio dos meus braços.
Serei apenas ventre no acolher do teu olhar e saberei ser tempo sem compasso para q possas serenar.
Guardarei no meu peito os gritos q te ferem a garganta e calarei nos lábios as mágoas q me deres a guardar...

Vem... somente!

Cris ( Transparências)

terça-feira, julho 26, 2005

No adormecer dos dias...


. Posted by Picasa

Há no adormecer dos teus dias um sussurro mágico, que vai além do encantamento, que me inebria e mantém inerte, ao sabor da vontade das íris extasiadas...
Olho-te para lá da distância e do recorte da solidão q transpiras... e respiro-te. Emprenho de ti o sal da vida e o ondular dos dias. Empresto-te as palavras para q possas vestir o voo das gaivotas de poesia e, em troca, ofereces-me a beleza dos flamingos em bando, rosando assim os meus sonhos , agora plenos de bailados graciosos e tranquilos.
Não me canso de te olhar no adormecer dos dias. De te olhar e de te sorrir...

Sabes-me a restos de infância e ao desabrochar dos sentidos... em ti deposito as pétalas de malmequeres desfolhados no seio da ânsia de viver , as lágrimas cristalizadas de mel desperdiçado em desgostos gaiatos e agora tão distantes, e aqueles sorrisos que transbordavam do peito nas horas das fogueiras a crepitar por trás dos acordes de uma qualquer guitarra perdida nos braços da lua...

Sonho-te ainda no adormecer dos dias, embalada pelo som dos beijos com sabor a fim do mar e a camarinhas... e sei-te minha cúmplice no relembrar dos pés descalços, gravados ao correr das tuas margens...

Olhar-te em silêncio no fundo dos meus versos é saber-te permanência naquele pedaço de alma que escolhi para guardar em mim a magia do adormecer dos dias no teu regaço, berço da lua...


Cris (Paisagens q não sei pintar)

segunda-feira, julho 18, 2005

Hoje, sim... sou eu!


sorrindo... Posted by Picasa


Hoje, sim, sou eu!
Olho estas minhas mãos e encontro-lhes vontade de acariciar as palavras...
Solto do peito a garra e agarro as palavras como quem as abraça, como quem as afaga e as beija. Hoje apetece-me um cesto no braço de onde se soltem os ramos de hera num rasto perfumado de primavera e verde... Hoje apetece-me semear um jardim de açucenas e sentir o macio do branco no meu rosto... Hoje renasço de mim mesma como se um mágico germinasse no meu peito e me trouxesse à garganta uma cascata deliciosa de poemas...

Agarro o fruto desfeito em sumo
e deixo escorrer por entre os dedos
o néctar, alimento dos meus sentidos

alheio ao meu sentir ele é sangue
das veias que invento no palpitar das palavras
e alaga-me a alma de um vermelho vivo
no entumescimento das vontades
desnudas de muralhas e firmamentos
vestidas apenas de sonhos e desejos que não minto

E eu sou... sou parte de um poema que vomito
num vómito do extase que consinto
a mim mesma quando voo além das asas
com que visto as palavras em que sinto
a magia das valsas imaginadas
ao ritmo dos teus braços que entrelaço
no sabor das palavras ensalivadas
pelos beijos que nos nascem dos lábios
agora já saciados e ainda tão famintos

Hoje, sim... sou eu!
Cris (Transparências...)

terça-feira, julho 05, 2005

nas asas de um beijo...


Crescem asas no meu peito a cada momento em que respeito o voo dos q por mim passam... Posted by Picasa

_ Que bom deve ser voar...

Proferiste estas palavras como se fosses um condenado e este o teu último desejo... Eu n tinha umas asas para te dar, mas senti q esperavas de mim uma resposta, algo q te convencesse da inutilidade de tal voo...
Querias, sei bem, que te dissesse q voar é simples fantasia de quem nada tem para fazer e que esperava de ti a racionalidade de quem sabe bem onde coloca os pés e a firmeza de quem sabe escolher o seu caminho... E porque sabia q era essa a resposta q esperavas de mim, quase ta dei...
Quando demorei todo aquele tempo no fundo dos teus olhos, foi o tempo q demorou a luta q travei entre a tua vontade e a minha consciência... entre o medo de te desiludir e a defesa do meu acreditar... e foi mais forte do q eu...

_ E o q te impede de voar, amor?

_ Meu Deus, se não te conhecesse como conheço pensaria q acreditas que é possível voar...

_ Repito a pergunta : E o q te impede de voar?

_ Talvez o facto de n ser pássaro, não? Claro q posso sempre apanhar um avião, ou andar de asa delta, mas para o primeiro falta-me motivo e tempo e para a segunda... bem, falta-me a dita...

_ E coragem... não falta?

_ Hum... talvez tb um pouco, mas na ausência do material que interessam as suposições? Vá, mudemos de assunto... Onde queres ir?

_Voar!...

_Mau!... Deixa para lá os voos antes q te cresçam asas na ponta do nariz... eheheheheheh

Não podia parar naquele momento. As asas já cresciam dentro do meu peito e n me apetecia voar sozinha...

_ Vamos voar os dois... chiuuuuuuuuuuuu... n digas nada... encosta o teu peito às minhas costas e abraça-me... agora fecha os teus olhos e encosta o teu rosto no meu ombro... isso!... Esquece o teu corpo... n tens peso... esquece o chão... abraça-me só... sim, assim forte... e deixa-te ir!...
Sente a brisa morna nos ombros e deixa crescer em ti a sensação de umas asas brancas, leves, imensas... deixa q te conduzam aonde a tua alma quer ir... isso! ... Abre agora um pouco o teu abraço... só o espaço para q os meus lábios possam procurar os teus... Não, n abras os olhos... sente apenas...
Quando o meu sorriso se deitar nos teus lábios diz-me apenas o q sentes...

_Como é bom voar contigo, amor!...


Cris (páginas para te sonhar)