quinta-feira, outubro 16, 2008

incógnita...




os dedos crispados na inquietude do tempo

espera que serpenteia no desespero da terra


veios desordenados de sopros e lamentos

pensamentos obtusos do inferno que os cerca


submersa a vontade fera

de quem espera

e tem por certeza

o incerto da verdade

e as paredes do pensamento


insonoro o pulsar mecânico do mundo

nas veias de um pensar que gera o pânico


inodoro o sentir do germinar do sonho

nas correntes do gargalhar profundo

de quem descobre o simples e velho dito

de que nada nesta vida é infinito


apenas um caminhar para parte incerta...


Cris (Ecos...)

segunda-feira, setembro 22, 2008

Beijos para ti!







Há beijos que são fios de prata


como estes que escorrem dos meus olhos


quando em momentos de saudade


olho as estrelas e lhes peço que sejam os meus lábios


e te beijem por mim




Lá do alto, onde moram


sorriem-me serenamente


e dizem-me que os beijos que os meus olhos choram


lhes chegam ao regaço e num repente


tos devolvem suavemente




assim...


como se entregues por mim




Há beijos que se vestem de flores


e servem de véu e manto


ao colo que me ensinou a ternura e o amor


e que agora me ensina a viver esta saudade


que não tem fim




São beijos perfumados de lágrimas e sorrisos


beijos que não têm lábios...




Mas são todos para ti!






Cris ( Conversas contigo... depois!)

domingo, agosto 10, 2008

Prometi-te as minhas mãos nas tuas...

E prometo-te as minhas mãos nas tuas... e os meus beijos sem lágrimas enquanto o teu corpo for permanência... e a tua voz um leve respirar!...

Prometi-te as minhas mãos nas tuas, mãe
e os meus beijos sem lágrimas
enquanto o teu corpo fosse permanência
e a tua voz um leve respirar

E tu soubeste dizer-me adeus tão de mansinho
e adormecer de uma forma tão serena
como um sol que ao fim do dia se deita aos poucos... muito devagarinho
acabando por esmorecer nos braços do mar

Agora que o teu corpo já se chama ausência
não me peças beijos sem lágrimas
porque eu não tos consigo dar
mas prometo-te que mesmo com o coração a doer
vou sempre saber olhar o céu e sorrir
como forma de te abraçar

um beijo, mãe
até sempre




sexta-feira, julho 18, 2008

No adormecer dos teus dias...





Há no adormecer dos teus dias um sussurro mágico, que vai além do encantamento, que me inebria e mantém inerte, ao sabor da vontade das íris extasiadas...
Olho-te para lá da distância e do recorte da solidão q transpiras... e respiro-te. Emprenho de ti o sal da vida e o ondular dos dias. Empresto-te as palavras para q possas vestir o voo das gaivotas de poesia e, em troca, ofereces-me a beleza dos flamingos em bando, rosando assim os meus sonhos , agora plenos de bailados graciosos e tranquilos.
Não me canso de te olhar no adormecer dos dias. De te olhar e de te sorrir...

Sabes-me a restos de infância e ao desabrochar dos sentidos... em ti deposito as pétalas de malmequeres desfolhados no seio da ânsia de viver , as lágrimas cristalizadas de mel desperdiçado em desgostos gaiatos e agora tão distantes, e aqueles sorrisos que transbordavam do peito nas horas das fogueiras a crepitar por trás dos acordes de uma qualquer guitarra perdida nos braços da lua...

Sonho-te ainda no adormecer dos dias, embalada pelo som dos beijos com sabor a fim do mar e a camarinhas... e sei-te minha cúmplice no relembrar dos pés descalços, gravados ao correr das tuas margens...

Olhar-te em silêncio no fundo dos meus versos é saber-te permanência naquele pedaço de alma que escolhi para guardar em mim a magia do adormecer dos dias no teu regaço, berço da lua...


Cris (Paisagens q não sei pintar)

sábado, julho 12, 2008

amanhecer...





Das tuas mãos nascem madrugadas
de sonhos, e sementes de alvoradas

Há marés de vontade nos teus olhos
e na tua língua o jejum de um dia santo
que conhece seu quebranto
no mais profundo de mim

Ahhh... e há sinais de sorrisos
nas pregas da tua pele
mel q em ti deposito assim
ao roçar de leve os teus lábios...


Cris (Dos meus lábios nasce a noite)

quinta-feira, julho 03, 2008

Kids...





Filhos do silêncio e da amargura
da loucura, do desprezo e da ignorância
tantas vezes frutos amargos
da inocência e da aventura

Pedaços de lama vestidos de vergonha
caras lavadas somente nas lágrimas
de uma mão estendida e esfomeada
que não se atreve a tocar ninguém
como se fora doença ou peçonha
que se escuda do insulto e do desdém

Olhares vivos e ferventes
disfarçados de cansaços e de ausências
sorrisos ricos mas mendigos
de um pingo de leite ou de simples pena
carícia em tons de pão onde o sonho é a manteiga
e o "LÓ" seria o paraíso

Filhos de ninguém e nem do mundo
para quem o cartão se chama leito
e no peito guardam o q têm de mais seu e mais perfeito
um pedaço de músculo que alguém lhes deu
e que luta sem salário e sem refreios
pelo nome que teima em não perder
pois que lho deram de graça: "coração"
e não a "pedra" com que se começa a parecer

Se estes filhos tivessem mães e regaços
em vez de pedras de chão por abraços
Saberiam talvez ainda assim a cor da fome
mas saberiam sempre que eram gente
em vez de ratos...


Cris ( Ecos...)

sexta-feira, junho 20, 2008

assim...





Da transparência das palavras germina espontaneamente a alma de quem as escreve...


deixa-te levar, amor
ao sabor da vontade
do vento nos meus ombros nus
e do desejo dos teus dedos

deixa-te levar, amor
pela sede da minha pele
e descobre nela os segredos
q só tu sabes encontrar

deixa-te ficar, amor
assim como quem descansa

deixa-te estar, amor
em mim...

Cris , do silêncio e da pele

domingo, maio 25, 2008

Contigo... estava numa experiência religiosa





De mãos dadas olhámos o céu…

Chorava…

Procurámos no azul a paz q tardava
No nosso peito confundiam-se as lágrimas
Com as do céu, frias
E as nossas bocas amordaçadas pelo medo
Pediam fervorosamente aos dias
O recobro da madrugada na calmaria de um sol nascente
Que nos inundasse de magia

Pediste-me q te ensinasse a rezar
E eu já n sabia que o sorrir também é orar

E chorava…

Encostaste as palmas da tua mão ao meu rosto
E disseste-me saber apenas amar

O céu parou de chorar…

Entrelacei os meu dedos nos teus
Em sinal de prece erguemos ao céu as mãos
E de corpos e almas em comunhão
Colámos os lábios para amar

O céu sorriu então…

Amando…fomos nós a oração!


Cris (Transparências)



domingo, março 16, 2008

No entrelaçar das almas...

Fot. de Cristina Fidalgo





vem cá...
dancemos encostados
numa mistura de cheiros doces
apetece-me o cheiro da tua pele

não sei se danço se voo...

sinto os movimentos lentos do teu corpo
e os teus braços num apertar suave

enrosco-me no teu abraço

mandei-te o recado das saudades
porque me fazias falta

sinto a proximidade dos teus lábios
e descanso a cabeça no teu ombro
enquanto a música me escorre pela pele

e beijo-te as pálpebras na ternura das palavras
que não digo
mas que adivinhas

depois deslizo e aninho-me no teu pescoço
na espera do falar das pontas dos teus dedos
que me dizem que me sentes... e eu sinto-te...

sabes-me a mel
e a cerejas trincadas na ponta dos nossos lábios
colados...
sinto-lhes o sabor
sinto a frescura do suco do voo da tua alma em mim
no sorriso que me vem de ti

e o ar em meu redor passa a ser a tua pele
e a luz que me chega do candeeiro o teu odor
e a saliva que revolvo sem destino
o poema onde te chamo amor...

e caminho na tua pele
no vagar de quem sente a saliva no escorrer dos lábios
que te amam as palavras e os beijos
e inspiro
como se o som das palavras que não dizes fossem o meu respirar

respira-me também
por momentos
e ouvir-me-ás chamar-te amor
e cada momento de silêncio
é o toque mais doce que alguma vez senti...

e é magia ...
porque sou em ti e estou contigo...
porque em ti tenho espaço e chão
e sinto no coração o correr de um rio sem sobressaltos e sem marés
porque te amo numa paz que me semeia na alma o sorrir que te quero dar...
porque somos um poema a dois
num ritmo cadenciado e num respirar de sílabas
que se cruzam numa rima branca que nos leva à melodia
e nos deixa dançar livremente...

dá-me esse beijo!

e a distância desapareceu
porque não tinha mais espaço entre nós...
e mergulho em ti em cada uma das gotas que bebes de mim...
dissolvo-me na essência que te percorre o corpo
e na cadência do nascer das estrelas
nesta madrugada em que conseguimos o entrelaçar das almas

e não quero voltar a ser só!


Cris (Sem Distância)

sábado, dezembro 29, 2007

a saia das preguinhas...





Às vezes apetecem-me os passeios sem estrada nem trilho e, simplesmente, vou caminhando...

Hoje, fui até uma saia de preguinhas, de um xadrezinho em tons de azul, que recordo num colo seguro e risonho que já partiu... Nessa saia das preguinhas, eu lembro como era bom correr ao longo do caminho que me levava a casa da ti Encarnação do Torcato, que me sorria por entre a falta tão grande de dentes e me dizia, plena de ternura, como quem ralha a brincar: "Lá vem o diabrete das coxinhas gorduchas... Olha que tu num t'alembres de me soltar os patos, mafarrica! "E eu lá lutava contra o desejo de a ver naquela correria extraordinariamente manca atrás dos bichinhos... e acabava por não os soltar... Depois era o aroma do leite acabadinho de tirar e o ti Torcato, sempre apoiado no seu velho cajado, e a coçar os poucos cabelos que lhe restavam, na velha azáfama de ir levar o leite ao posto: "Queres vir comigo cachopa? Levo-te em cima da vaca... " Fascinava-me a ideia de ir em cima da Formosa, mas a avó podia ralhar... E nunca fui!

Noutros dias a minha saia de preguinhas levava-me com a Ana em busca de musgo fresquinho e bem verde para enfeitar o presépio que ia encher completamente o vão das escadas e subir em estrelas e luzes ao longo do pinheiro que o Sr. António todos os anos ia cortar ao pinhal, para dar de presente ao Avô Pinto...
E o que eu sonhava junto daquele presépio a transbordar de imagens que ganhavam vida logo que banhadas pelas luzes de tantas cores... Durante semanas aquele era o lugar mais bonito do mundo e as minhas brincadeiras e sonhos passavam a ter uma paisagem cheias de trilhos por onde os meus deditos passeavam transformando-se em pastores, moinhos, ovelhas, reis ou anjos... apanhava as flores mais pequeninas que encontrava no jardim para tornar aquele paraíso mais real, e dava até uma casa aos bichinhos-de-conta do quintal que tinham, concerteza, no Natal, um espaço cheio de amor e carinho para se enrolarem confortavelmente nos seus medos... às vezes eram caracóis e até sardões, porque as crianças ainda não cresceram o suficiente para terem nojo ou medo dos animais do jardim...
O pior é que a avó já era crescida e quando dava conta da bicharada fazia do chinelo uma rebarbadora e punha abaixo o bairro de lata do meu presépio...
Eu... ficava de castigo e a minha saia de preguinhas enxugava-me as lágrimas...

Depois, mais tarde, chegava o meu colo imenso que me aconchegava ao peito, enquanto endireitava a minha saia de preguinhas e me dizia: "Porque é que a minha menina faz tantas asneiras?"
Não eram... mas ele não sabia! Afinal também já tinha crescido...


Cris (Do Jardim da Minha Alma)

sábado, dezembro 22, 2007

Nesta manhã em que quero o Natal!...





Acorda comigo nesta manhã em que quero o Natal
Ajuda-me a espreguiçar e a sentir os primeiros raios de sol
Sorri para mim no mesmo sorriso que te dou e que é igual
A todos os sorrisos que tomam o olhar por farol
E se misturam nas ternuras e carícias do amanhecer...

Vamos estender os nossos corpos para além da cama
Pisar o chão macio num contorno do que está para além de nós.
Podemos ser as luzes cintilantes da árvore, símbolo de quem ama
E darmo-nos os presentes divinos que ecoam para além da voz
E nos fazem, de vida e de amor, estremecer...

Abandona-te comigo num abraço para além do espaço e do tempo
Um abraço para esquecer murmúrios e lamentos
Daqueles em que os braços são só pele e mãos e desejo
E o coração num instante abarque o mundo
Para nos darmos de presente o presente mais profundo:
Um acordar pleno de nós... cobertos de beijos!

Cris (Transparências)

sábado, outubro 27, 2007

momentos...

Fot. de Cristina Fidalgo

Quando entro e aconchego nos teus braços abarco o mundo inteiro na sorriso que nasce na minha alma... adormeço os medos e alheio-me das ausências. Serenamente adentro os teus afagos e colho-os nas pontas dos meus dedos no simultâneo do percorrer a tua pele... e sacio-me de ti!

Dizes-me então o silêncio no discurso mais profundo que jamais senti... e devolves-me assim o renascer dos sonhos nados no éter e na luz... Desenho então, no contorno dos teus lábios, a doçura com que me adentras como se este beijo que te dou fosse o mais sedoso dos pincéis e abandono-me na vertigem do momento...

É assim q concebo o etéreo e a beleza do infinito!

Apenas assim!

Cris (Para além de mim)

quinta-feira, setembro 27, 2007

Vou fazer amor contigo como se fosse uma Deusa...

Fot. de Cristina Fidalgo




Vou fazer amor contigo esta noite como se fosse uma deusa q nasceu para te amar...
Vou dançar no teu corpo num bailar de véus e de sentidos até já n haver céu...
Vou levar-te a passear por entre as estrelas num trilho de abraços e de luar
E prolongar os meus braços ao sal da tua pele quando os meus lábios tocarem os teus
E as tuas mãos n souberem mais como ocultar os teus anseios...

E os meus seios vão chamar pela lua e pelos ventos e até pelas ondas do mar
Do ondular da tua língua no epicentro do universo da minha vontade e dos teus desejos...

Vou dançar este amor contigo numa ilha sem nome ao som dos sussurros que os teus lábios não conseguem guardar
E vou ouvi-los em forma de gemidos entrelaçados no som do mar...

E ao arquejar do meu corpo, a cada compasso dessa melodia que vamos cantar...
Saberás que te amo mais q à vida e que dançarei até ao fim...
E de ti soltarás a nascente de fogo e de vida q desaguará em mim...

E, de seguida... estenderás os braços num abraço para q adormeça em ti!
E eu sentirei o beijo com q fechas as cortinas da noite em q fiz amor contigo assim...

Amo-te!

Cris ( Dos meus lábios nasce a noite)

quarta-feira, julho 25, 2007

Beijo-te devagarinho...




Sento-me aqui um pouco, aninhada em mim própria e no cansaço dos meus dedos, para te beijar devagarinho... como eu gosto!


Sei-te na dormência dos sonhos, enquanto eu vagueio lentamente no êxtase de uns acordes plenos de mel e de vida...


Tu sabes, amor, como eu gosto de te beijar devagar, por entre a dança das notas soltas no éter, livre de luz, como se o mundo não existisse para além de nós. Sabes como eu te sei sonhar no aroma da pele molhada... como me desgarro do corpo e me faço abraço e beijo nos pedaços dos teus sonhos.


Deixo o corpo voar para fora de si próprio e fico completamente extasiada com o q resta de mim...


São mãos sem forma, cheias de vida e um olhar penetrante q atravessa mundos ternamente construidos por um veio de eternidade repleto de horizontes paralelos, inchados de cor e de uma música divinal.


São pedaços de éter, voláteis e transparentes, plenos de desejo e de ecos de mim.


É um pedaço de saudade e de fado esquecido das lágrimas e da dor que alguma vez senti...


É o resto do que resta da noite imaginada e que habita no centro do que sou quando me afasto assim do corpo em que moro para ficar desnuda dos grilhões que me amarram o peito... e vestida apenas com um manto azul feito da alma que é minha e assim me sorri!


Então... desamarrada de mim, aconchego-me no sonho q te-me abraça... e adormeço assim!



Cris (Do Silêncio e da Pele)

terça-feira, junho 26, 2007

Prometo!...



sei q o peito te arde num imenso remoinho de ideias
que anseias por decifrar e entender
sei q a garganta te amarra o grito e em franco sufoco
te agarra a alma e te espreme a dor na torrente de lágrimas
que não queres e não acalmas nem sabes prender...


doi-te o mundo no olhar que não encontras
e morre-te o sorrir na dormência dos lábios
que anseias por cobrir de beijos.


e desencontras de ti os sonhos
que julgavas castelos de cetim
porque é carmim o pulsar que sentes nas veias...


e do sabor da maresia que desenhavas no adormecer das areias
brota agora o sal acre das azedas que sem saber semeias.


mas é assim o crescer, filha
é assim... uma busca permanente do que em nós resta
do que um dia sonhámos saber viver
para amanhecermos a seguir cobertos de incertezas...

cheios de vontade de nos apertarmos nos próprios braços
cerrar os olhos e deixarmo-nos morrer!


não chores, meu amor, que dói mas esta dor não mata
antes nos ajuda a crescer e nos semeia na alma
as sementes da vida e do aprender.


e eu juro-te, minha querida, que a vida
qual flor coberta de espinhos
nos pica, nos maltrata e nos assusta
mas tem um aroma mágico
que também nos mima, nos afaga e nos desperta.


vem cá que eu dou-te colo e cubro-te de beijos
e não prometo secar-te esse mar da alma
nem curar-te de todos os medos e anseios
mas dou-te o mundo num sorriso
e mostro-te o sabor de um porto seguro...



depois...
e porque os barcos não devem permanecer nos cais
deixo-te erguer as velas e rumar aos ventos...


na viagem olharás certamente para trás
e eu poderei ver num sorriso ou num simples aceno
que encontraste as correntes e as marés
que te levarão de novo ao encontro dos teus sonhos...


Prometo!




Cris (Do fundo do meu arco-íris)

sábado, junho 02, 2007

Utopia!




É utópico pensar os teus olhos e vê-los marejar
ao simples gesto de pensar que estás em mim?

Será ridículo escrever palavras bordadas de saliva
nos segredos que te sonho e nas saudades que sinto de ti?

Desnudo-me de pudores e de enfeites de tradição
porque resgato miragens quando te amo e te quero dentro de mim
em sede viva ou simples quimera de canção
que olvida os recatos mais puros do que esperas
mas me rasga por dentro e me definha o coração

Por isso eu canto e grito o que me resta em silêncio no peito
e utopicamente acredito que por direito
me assiste escrever-te ridiculamente a preceito
que te amo... que te quero... que te desejo...


Cris (Dos meus lábios nasce a noite)

quinta-feira, maio 17, 2007

Na spera do verso...


Nos vértices da paixão está o que sinto
e nela as arestas não encontro
derramo-me no mel e não te minto
antes
sofregamente
te pressinto
e te me dou

E o meu corpo transforma-se em papel
e nas palavras que escreves
me alimento

E é no sumir do tempo que eu me escondo
e na espera do verso que eu sou
Resguardo-me apenas do que é eterno
e sorvo o momento do efémero

No instante

em que te dás e que me dou

E cresco assim em horizonte
ao longe
mas no mais perto que sou

amando...

Cris (Dos meus lábios nasce a noite)

sexta-feira, março 16, 2007

Um poema por acabar...




Sou poema

de versos de rima branca

soltos no vento e na lembrança

de um qualquer poeta

de um qualquer lamento...


Sou metáfora

de pétalas de várias cores

sonho que vagueia no espaço

onde moram deuses e amores

sem tempo, sem hora, sem braços...


Pétalas de uma qualquer flor

onde apenas a cor sei ser amarela

e da cor que tu quiseres...



Sou canção

melodia de um coração

que bombeia luz e cor

a cada dia

na palidez do amanhecer

e na magia

do adormecer do sol...


Sou o nome que me quiseres dar

e sou apenas eu

nada mais...


Simplesmente um poema por acabar...



Cris ( Dos meus lábios nasce a noite)

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Num regaço azul...

fecho os olhos e apago-me do mundo
enquanto num segundo apenas
me desgarro de mim e me desnudo
para renascer aninhada em ti

arremessas as palavras para longe dos lábios
porque sabes q apenas te oiço o olhar
nessas horas em que a vida nos desamarra do mundo

e em que a nossa pele nos grita a magia dos beijos

e é então que de mim jorra o desejo de ser nascente
fonte de uma corrente límpida e fresca
que refresque em ti a sede que tb é minha
até que, já cansado, sejas apenas como o poente

que adormece sereno num regaço azul, feito menino


Cris (dos meus lábios nasce a noite)

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Eu, pecadora me confesso...

Hoje abandonei a minha alma...
Mandei-a para fora de mim...
Introduzi uma mão no peito,
Arranquei-a mesmo sem jeito,
E arremessei-a ao acaso
Para que n me magoe assim...

Dela... o lugar ficou vazio,
Meu corpo cheio de frio...
E eu n sei respirar...

Hesito... Quero...
E não quero...
Não sei se a hei-de ir buscar...

Mas se paro para pensar...
As dúvidas são nenhumas:
Se de novo a trago... ela dói,
Se a largo... dói-lhe o lugar...

E como vou eu sonhar?...

Anda cá, minha doce alma...
Seca a lágrima que cai...
Não te mando mais embora...
Dou-te o meu peito
E um calmo embalar...

A dor?... Essa eu suporto...
Porque o que eu n aguento
É a dor do pensamento
De te ter ousado arrancar
De mim...

Foi pecado... eu sei!
Cris...(Sem distância!)