quarta-feira, julho 25, 2007

Beijo-te devagarinho...




Sento-me aqui um pouco, aninhada em mim própria e no cansaço dos meus dedos, para te beijar devagarinho... como eu gosto!


Sei-te na dormência dos sonhos, enquanto eu vagueio lentamente no êxtase de uns acordes plenos de mel e de vida...


Tu sabes, amor, como eu gosto de te beijar devagar, por entre a dança das notas soltas no éter, livre de luz, como se o mundo não existisse para além de nós. Sabes como eu te sei sonhar no aroma da pele molhada... como me desgarro do corpo e me faço abraço e beijo nos pedaços dos teus sonhos.


Deixo o corpo voar para fora de si próprio e fico completamente extasiada com o q resta de mim...


São mãos sem forma, cheias de vida e um olhar penetrante q atravessa mundos ternamente construidos por um veio de eternidade repleto de horizontes paralelos, inchados de cor e de uma música divinal.


São pedaços de éter, voláteis e transparentes, plenos de desejo e de ecos de mim.


É um pedaço de saudade e de fado esquecido das lágrimas e da dor que alguma vez senti...


É o resto do que resta da noite imaginada e que habita no centro do que sou quando me afasto assim do corpo em que moro para ficar desnuda dos grilhões que me amarram o peito... e vestida apenas com um manto azul feito da alma que é minha e assim me sorri!


Então... desamarrada de mim, aconchego-me no sonho q te-me abraça... e adormeço assim!



Cris (Do Silêncio e da Pele)

terça-feira, junho 26, 2007

Prometo!...



sei q o peito te arde num imenso remoinho de ideias
que anseias por decifrar e entender
sei q a garganta te amarra o grito e em franco sufoco
te agarra a alma e te espreme a dor na torrente de lágrimas
que não queres e não acalmas nem sabes prender...


doi-te o mundo no olhar que não encontras
e morre-te o sorrir na dormência dos lábios
que anseias por cobrir de beijos.


e desencontras de ti os sonhos
que julgavas castelos de cetim
porque é carmim o pulsar que sentes nas veias...


e do sabor da maresia que desenhavas no adormecer das areias
brota agora o sal acre das azedas que sem saber semeias.


mas é assim o crescer, filha
é assim... uma busca permanente do que em nós resta
do que um dia sonhámos saber viver
para amanhecermos a seguir cobertos de incertezas...

cheios de vontade de nos apertarmos nos próprios braços
cerrar os olhos e deixarmo-nos morrer!


não chores, meu amor, que dói mas esta dor não mata
antes nos ajuda a crescer e nos semeia na alma
as sementes da vida e do aprender.


e eu juro-te, minha querida, que a vida
qual flor coberta de espinhos
nos pica, nos maltrata e nos assusta
mas tem um aroma mágico
que também nos mima, nos afaga e nos desperta.


vem cá que eu dou-te colo e cubro-te de beijos
e não prometo secar-te esse mar da alma
nem curar-te de todos os medos e anseios
mas dou-te o mundo num sorriso
e mostro-te o sabor de um porto seguro...



depois...
e porque os barcos não devem permanecer nos cais
deixo-te erguer as velas e rumar aos ventos...


na viagem olharás certamente para trás
e eu poderei ver num sorriso ou num simples aceno
que encontraste as correntes e as marés
que te levarão de novo ao encontro dos teus sonhos...


Prometo!




Cris (Do fundo do meu arco-íris)

sábado, junho 02, 2007

Utopia!




É utópico pensar os teus olhos e vê-los marejar
ao simples gesto de pensar que estás em mim?

Será ridículo escrever palavras bordadas de saliva
nos segredos que te sonho e nas saudades que sinto de ti?

Desnudo-me de pudores e de enfeites de tradição
porque resgato miragens quando te amo e te quero dentro de mim
em sede viva ou simples quimera de canção
que olvida os recatos mais puros do que esperas
mas me rasga por dentro e me definha o coração

Por isso eu canto e grito o que me resta em silêncio no peito
e utopicamente acredito que por direito
me assiste escrever-te ridiculamente a preceito
que te amo... que te quero... que te desejo...


Cris (Dos meus lábios nasce a noite)

quinta-feira, maio 17, 2007

Na spera do verso...


Nos vértices da paixão está o que sinto
e nela as arestas não encontro
derramo-me no mel e não te minto
antes
sofregamente
te pressinto
e te me dou

E o meu corpo transforma-se em papel
e nas palavras que escreves
me alimento

E é no sumir do tempo que eu me escondo
e na espera do verso que eu sou
Resguardo-me apenas do que é eterno
e sorvo o momento do efémero

No instante

em que te dás e que me dou

E cresco assim em horizonte
ao longe
mas no mais perto que sou

amando...

Cris (Dos meus lábios nasce a noite)

sexta-feira, março 16, 2007

Um poema por acabar...




Sou poema

de versos de rima branca

soltos no vento e na lembrança

de um qualquer poeta

de um qualquer lamento...


Sou metáfora

de pétalas de várias cores

sonho que vagueia no espaço

onde moram deuses e amores

sem tempo, sem hora, sem braços...


Pétalas de uma qualquer flor

onde apenas a cor sei ser amarela

e da cor que tu quiseres...



Sou canção

melodia de um coração

que bombeia luz e cor

a cada dia

na palidez do amanhecer

e na magia

do adormecer do sol...


Sou o nome que me quiseres dar

e sou apenas eu

nada mais...


Simplesmente um poema por acabar...



Cris ( Dos meus lábios nasce a noite)

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Num regaço azul...

fecho os olhos e apago-me do mundo
enquanto num segundo apenas
me desgarro de mim e me desnudo
para renascer aninhada em ti

arremessas as palavras para longe dos lábios
porque sabes q apenas te oiço o olhar
nessas horas em que a vida nos desamarra do mundo

e em que a nossa pele nos grita a magia dos beijos

e é então que de mim jorra o desejo de ser nascente
fonte de uma corrente límpida e fresca
que refresque em ti a sede que tb é minha
até que, já cansado, sejas apenas como o poente

que adormece sereno num regaço azul, feito menino


Cris (dos meus lábios nasce a noite)

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Eu, pecadora me confesso...

Hoje abandonei a minha alma...
Mandei-a para fora de mim...
Introduzi uma mão no peito,
Arranquei-a mesmo sem jeito,
E arremessei-a ao acaso
Para que n me magoe assim...

Dela... o lugar ficou vazio,
Meu corpo cheio de frio...
E eu n sei respirar...

Hesito... Quero...
E não quero...
Não sei se a hei-de ir buscar...

Mas se paro para pensar...
As dúvidas são nenhumas:
Se de novo a trago... ela dói,
Se a largo... dói-lhe o lugar...

E como vou eu sonhar?...

Anda cá, minha doce alma...
Seca a lágrima que cai...
Não te mando mais embora...
Dou-te o meu peito
E um calmo embalar...

A dor?... Essa eu suporto...
Porque o que eu n aguento
É a dor do pensamento
De te ter ousado arrancar
De mim...

Foi pecado... eu sei!
Cris...(Sem distância!)

quinta-feira, dezembro 28, 2006


. Posted by Picasa
Há noites assim como esta em q me deito em notas soltas no ar, vazia de palavras e de mágoas...
Noites em que n sei se quero sonhar-te ou apenas existir...
Respiro... e a cada trago de ar q inspiro sei q o meu corpo ainda vive e q nele permaneço... mas o respirar n chega para sentir vida em mim!
Não, n estou triste, apenas vazia!
Hoje n me sabe o sorriso a estrelas, nem a ternura a mel... Não me apetece procurar no éter o aroma da tua pele, nem procuro nas pontas dos meus dedos o sabor dos teus...
Nos meus braços n mora hoje a saudade do aconchego de outros braços entrelaçados...
Talvez tudo isto seja apenas porque há noites assim...
Noites em q a mim própria me basto e em q n necessito prolongar-me para além do q sou... noites em q n quero q me completes.
Mas n estou triste... apenas vazia!
Estranhas... sei q sim... mas acredita, meu amor, que não deixei de te amar...
Amo-te, hoje, apenas de uma forma mais egoista... amo-te, hoje, apenas depois de mim! Não porque goste desta forma de amar...
Simplesmente e apenas porque há noites assim como esta!
Cris, in Momentos que não quero

segunda-feira, dezembro 11, 2006

quando...


. Posted by Picasa
quando as palavras são o teu olhar
profundo... que trespassa o fundo
do fundo da minha alma
quando os sonhos são as pontas dos teus dedos
calmos... na suavidade da minha pele
macia e no avesso dos meus segredos
quando és momento eterno na fugacidade de um beijo
que te peço na privação das palavras que morrem
no berço dos meus desejos
quando sabes os meus medos no sabor da saliva
doce que bebes dos meus lábios
esquecidos nos teus soltos em mim...
eu já não sou mais que um pedaço de vida
perdida em ti!...
Cris, in Do Silêncio e da Pele...

terça-feira, outubro 31, 2006

velando...

a81.JPG


dormes...
e eu velo esse teu dormir
com a intensidade de quem sente as ondas do mar
no respirar dos teus sonhos

e por sobre os teus lábios nasço em rio
e em vagas de beijos crio marés de ternuras

e enlaço-te-me no restolho dos desejos
que me viajam nas veias
e norteiam as pontas dos meus dedos
agora tímidos e mansos e cansados...
...porque adormecidos nesses teus sonhos.

dormes...
mutilas assim em mim a ânsia
de ser o luar dessa tua noite mágica
em que me deito e descanso...

pudesse esta noite ser eterna
e nela depositar a fugacidade de um beijo
que te dou a cada pedaço de olhar
que os meus olhos te resgatam

pudesse esta noite ser o perpetuar
dos sorrisos que adivinho na leveza dos gestos
com que embalas este meu velar
dos teus sonhos vadios

fosse esta noite a última noite das noites
e eu nem o mais pequeno gesto faria
que agitasse esse teu sorriso ameno
que pressinto no teu rosto...

enquanto dormes...

Cris, reflexos de nós

quarta-feira, outubro 04, 2006

A tempestade e a bonança...


Lá fora o vento uiva
E o alarme de um carro
Ouve-se, desesperado,
Num lamento...
Num simples grito
Da criança
Do apartamento ao lado
Soa o medo
Que vive em segredo,
Mas disfarça numa birra...

Aqui, no meu quarto,
Enrosco-me nas palavras
Que te escrevo,
Enquanto, lá fora,
Se faz sentir o vento...

Lembro os Invernos da infância,
Cheios de noites de lamento
Quando, ao longe,
Além do mar, ouvia o vento
Lutando com as ondas
E o medo, das almas
Que seguiam naquele barco...
Os homens das mulheres
Que em pranto farto
Prometiam caminhar
Por sobre o asfalto
Em troca da chegada
Sã e salva...

E o dia amanhecia calmo...
Os homens estavam a salvo
E na igreja lia-se o salmo
Em que se fala de tempestade
E de bonança...
Na lembrança, apenas o calo
Das mãos que cheias de esperança
Haviam ganho a luta
De um barco
Contra mar e vento...

Na areia jaziam as marcas
Da espera da noite
E do tempo...

É bom lembrar...

O alarme do carro
Continua o seu lamento...
Lá fora ainda o vento...
Mas a criança parou de chorar!
Cris in Sem Distâncias

sábado, setembro 30, 2006



Esta é a noite das cascatas consentidas... a noite em que cerro as pálpebras e te consumo o sorriso, guardado simplesmente nas memórias q não deixo que o tempo apague de mim!

Esta é a hora em que me aconchego no que de ti deixaste na minha alma, e me deixo adormecer no relembrar dos tempos em q a tua voz ainda soava nos sussurros brandos da vida e os teus braços ainda eram matéria e sentidos...

Não te pergunto a razão da partida, nem te censuro a desistência de ser... apenas me consome a angústia de não teres esperado que te desse um último beijo, ou te pegasse na mão nesse momento...

Dói-me a tua ausência... e não sei deixar-te partir de mim... Talvez por isso te deixe as minhas lágrimas nas pétalas das flores que te ofereço... São os únicos beijos que ainda te posso dar... os únicos que conseguem atravessar a terra que te serve de manto, e que chegam até ao que resta de ti!

Depois... olho-te naquele reflexo gelado do que eras e onde o teu sorriso permanece eternamente estático, olho o céu ... e sorrio-te! E sei que, onde quer q estejas, sentes o quanto eu sinto a tua falta!

Um beijo, pai!

Cris, in Conversas contigo... depois!

terça-feira, setembro 26, 2006

Deus fugiu!


pi Posted by Picasa

Há vozes perdidas na noite, que não se encontram.
Vozes que quebram barreiras e ecoam
No pensamento, como se fossem fileiras,
Em guarda ao momento em que os sonhos acordam
E os braços se transformam em reflexos dessas vozes,
Perdendo-se no roçar dos corpos...

Vagueiam os mortos por sobre a mente plana
Da dama de um qualquer quadro de um falso pintor.
Ama, a dama, vazia de amores, arco-íris em chama, mas sem calor...
Cruzam-se as almas no vazio do espaço,
Ocultam sorrisos e vomitam cansaços
Inebriantes de dor e de desânimo...
E consomem odores amargos e adormecidos
De demónios arquejantes e enfurecidos,
Restos de anjos perdidos pela ausência de sorrisos.

É um quadro parado, surrealismo abafado,
Onde as asas balouçam no pêndulo do Tempo
E os corpos desnudos se espalham e escorregam
Na incerteza dos degraus do espaço.
Em seu redor há frutos mortos
A que o pintor escondeu o podre, mas não deu vida.

Deus fugiu deste quadro,
Tão triste ficou com a vida perdida
Que o pintor nesta tela matou...

Deus fugiu!...




Cris, Fios Ténues de Solidão

sexta-feira, agosto 04, 2006

São disparates... eu sei!


fotografia de Cristina Fidalgo Posted by Picasa

Se soubesses como tenho, tantas vezes, vontade de te pegar no colo, e dizer-te que vou estar sempre por aqui para que nada de mal te aconteça... Rir-te-ias eu sei... Dirias de imediato: " Ó mãe, deixa-te de disparates. Eu já quase nem caibo no teu colo!"
Cabes, filha! Vais caber sempre no meu colo!
Acredita... tenho um regaço do tamanho do mundo... mesmo ao teu tamanho! Um regaço onde haverá sempre espaço para as tuas gargalhadas ou para as tuas lágrimas...
Um regaço que se transformará na noite, para que descanses, ou no dia, para que saibas o sabor do sol...
Porque te digo estas coisas agora, saídas do nada?
Sei lá!... Porque me sentei um pouco nos degraus do tempo e voltei a ti no meu colo... voltei aos dias do teu primeiro sorriso, da tua primeira carícia, do teu primeiro choro sentido, da tua primeira gargalhada a sério, dos teus primeiros passos, dos teus primeiros medos, dos teus primeiros sonhos...
Porque de repente senti medo que o mundo te magoe...
Senti o movimento das horas no crescer dos teus cabelos, nas roupas que não cresciam contigo, na tua vontade de usar os meus sapatos de salto, nas palavras que nasciam dos teus lábios - cada vez mais complexas - no formar das frases cada vez com mais sentido, no desabrochar de temas que faziam nascer nos teus olhos um brilho cada vez maior... Senti, filha!
E de repente dei-me conta que já quase não cabes no meu colo... e fiquei com medo que lhe esquecesses o gosto...
São disparates... eu sei! Mas que queres? Eu sou mãe...
Um beijo do tamanho deste colo....
Cris ( Do fundo do meu arco-íris )

segunda-feira, julho 24, 2006

Retrato de meias-vidas...



Os sonhos boiam nas margens das algas como se alvos anjos de cabelos ao vento...
Enegrecidas, nas vestes e na alma, as mulheres estagnam nas areias, de olhares perdidos nas vagas soltas do mar. Já não esperam vidas, já não esperam sortes... sabem que apenas restos poderão resgatar...
No turbilhão das marés há corpos inertes e inchados, pedaços de vida acabada a meio do que havia para continuar e, nas margens do mundo, há lágrimas e gemidos negros nos rostos de quem não sabe como continuar a amar...
E há olhares despidos de brilho e ombros despidos de braços e lábios despidos de beijos, e, ao longe, no horizonte... nem sequer se vislumbra o luar...
Ficarão, no branco dos areais, os restos das pegadas das mulheres que entregaram metade de si ao mar...

Cris ( Paisagens que não sei pintar)

sábado, junho 24, 2006

Contigo... estava numa experiência religiosa


.
De mãos dadas olhámos o céu…

Chorava…

Procurámos no azul a paz q tardava
No nosso peito confundiam-se as lágrimas
com as do céu, frias
E as nossas bocas amordaçadas pelo medo
pediam fervorosamente aos dias
o recobro da madrugada na calmaria de um sol nascente
que nos inundasse de magia

Pediste-me q te ensinasse a rezar
e eu já n sabia que o sorrir também é orar

E chorava…

Encostaste as palmas da tua mão ao meu rosto
e disseste-me saber apenas amar

O céu parou de chorar…

Entrelacei os meu dedos nos teus
Em sinal de prece erguemos ao céu as mãos
e de corpos e almas em comunhão
colámos os lábios para amar

O céu sorriu então…

Amando…fomos nós a oração!

Cris (Transparências)

sexta-feira, maio 26, 2006

habitando(-nos)...


Carved

Da transparência das palavras germina espontaneamente a alma de quem as escreve...

Habito-te

debaixo da minha pele

nela te encontro

porque é nela que estás

ainda

estás no perfume doce

das minhas pálpebras

a cada vez que as descerro

e te encontro

guardo as tuas mãos nas minhas

na força crispada em comunhão

e guardo em mim o momento

em que fomos grito

eu mar

tu vulcão



Cris, De um tempo sem tempo

sábado, dezembro 31, 2005

O Pássaro da Alma




"João, paras quieto ou tenho que te dar uma palmada?"

Ficou quieto de repente, saltou para o meu colo, no sofá, e perguntou-me com um ligeiro sorriso, vestido de espanto:

"Foi o teu pássaro da alma que abriu a gaveta de estar zangado?"

Foi a minha vez de experimentar o espanto. Apanhada completamente de surpresa, não conseguia perceber se estava a tentar distrair-me a atenção do que me tinha feito zangar ou se estava simplesmente a "mangar" comigo...

"Tu não penses que me fazes esquecer a palmada. Ora volta lá a fazer a mesma asneira e vais ver se há pássaro que te salve... Ai, ai, ai"

"Mas tu não me respondeste. Foi o teu pássaro da alma?"

"Mas que conversa é essa?"

"Então tu não sabes que vive um pássaro dentro de nós? Oh, mãe, eu conto-te!Ele chama-se Pássaro da Alma e vive num sítio muito fundo, dentro do peito das pessoas... foi a Mafalda que nos contou hoje..."

"E esse sítio é...?"

"É a nossa alma, mãe! E lá, no fundo dela, há muitas gavetas... a gaveta de estar zangado, a gaveta de ficar contente, a de ter sono, a de ter fome, a de ficar triste, a de chorar... e até há gavetas de ter vontade de dar coisas às pessoas!"

" Que coisas, filho?"

"Beijinhos... queres um? Se eu te der um beijinho pode ser que o teu Pássaro da Alma feche a gaveta de estar zangado..."

Olhei bem no fundo daqueles olhitos expectantes e não consegui disfarçar a ternura de um sorriso. Nesse momento, senti no fundo do meu peito o movimento de uma velha gaveta a fechar... e o crescer de umas asas que me impeliram a voar ao mundo do meu menino-homem que, ainda no meu colo, esperava ansiosamente uma resposta minha, como se essa fosse a confirmação da veracidade daquela história lindíssima, contada pela Mafalda!Abracei-o devagarinho, muito devagarinho para que tivesse tempo de perceber a imensidão do meu Sim... e sosseguei-o:

"O Pássaro da Alma já fechou a gaveta de estar zangado, mas disse-me que voltava a abri-la se tu fizesses asneira outra vez... Por isso vamos lá a pensar os dois no que havemos de fazer para o Pássaro só abrir as gavetas das coisas boas... O que achas?"

"Mas eu sei! Olha, não podemos trancar as gavetas sem ele ver porque essas gavetas não têm chaves, mas podemos ter vontade de fazer as coisas bem e o Pássaro da Alma passa as coisas boas para as gavetas de cima e esquece-se das gavetas de baixo, onde ficaram as coisas más... Ele gosta de beijinhos e tu também. Eu dou-te muitos beijinhos, não faço asneiras e pronto!

"Combinado! Vamos lá ajudar o Pássaro da Alma a arrumar as coisas boas nas gavetas de cima! Dá cá um beijo grandeeeeeeeeeeee!"

Agora já entendo os ruídos da Alma nos dias cinzentos... É o Pássaro da Alma a arrumar as gavetas! Logo que se esquece das debaixo, a alma serena e a paz invade-me!Eu pedi-lhe que reservasse a gaveta mais acima de todas para colocar lá estes momentos doces da minha vida... e que a deixasse sempre aberta!...

Cris (Do Fundo do Meu Arco-íris)

Desejo que em 2006 todos saibamos abrir as gavetas de cima das nossas almas e de lá podermos retirar a paz, o amor e a tranquilidade que nos permitam saber viver este mundo com a sinceridade que aprendemos das crianças!

Um beijo a todos
Cris

terça-feira, dezembro 27, 2005

Quando me dou...

sentido1.jpg



Dou-te o meu corpo em foz
no querer do teu nele nascente

Pelo chão derramo as vestes
véus-prisão da cor das correntes

e desamarro de mim o aqui-agora
o destino, as raízes e a memória...

Transpiro apenas momento
sem espaço e sem história
sou poeira trazida pelo vento
pergaminho sem palavras ou glória
mas alma viva e sedenta
de ti corrente de rio bravo
em agitado movimento

E aqui neste espaço para além do mundo
enlaço-te-me pela cintura
e troco a vida pelo segundo
em que juntos sejamos tão somente loucura
e nos desintegremos em marés vivas e puras
derramadas em mim por ti tão profundo...

depois... dou-te um sorriso desnudo
e nos teus braços adormeço!

Cris
Palavras para te sonhar

segunda-feira, dezembro 26, 2005

De coração aberto!...

Amigos/as,

Que o vosso Natal tenha sido replecto de paz, de amor e de desejos concretizados.

Não me foi possível deixar aqui, ou nos vossos blogs, uma mensagem de Natal em tempo mais oportuno, mas n esqueci da forma doce e carinhosa que me têm tratado e de todo o apoio q me têm dado para q nunca esqueça como é bom escrever. Por tudo isso vos agradeço mais uma vez e vos deixo aqui o desejo de um 2006 pleno de alegrias e de felicidade.

Por aqui continuarei e, espero, que de agora em diante, de novo com o ritmo com q comecei. Por algum tempo foi-me impossível, por questões de saúde, estar no pc, mas vinha sempre q possível espreitar os vossos comentários que tanto me ajudaram a ficar bem. Visitei os vossos blogs em silêncio pq o tempo q podia estar por aqui n me permitia fazer comentários, mas estive sempre com todos e por isso vos digo simplesmente: BEM_HAJAM!

Um beijo
Cris